
Antes de o campeonato começar, o nome de Felipe Massa não aparecia em nenhuma lista de candidato ao título, exceto no Brasil. É bem provável que agora, depois de assumir a liderança do Mundial, ontem, na Malásia, muitos ingleses, alemães e principalmente espanhóis tenham de rever suas previsões e valorizá-lo um pouco mais.
Massa largou em 21.º no circuito de Sepang, por errar com a Ferrari no treino de classificação, sábado, e recebeu a bandeirada num excelente sétimo lugar. A dupla da Red Bull confirmou, finalmente, a superioridade da equipe nesse momento: Sebastian Vettel venceu com o companheiro, Mark Webber, em segundo, sem adversários para incomodá-los. Nico Rosberg, da Mercedes, ficou em terceiro.
Se Vettel e Webber passearam nas 56 voltas da corrida disputada surpreendentemente sem chuva, atrás deles a luta foi acirrada e emocionante.
A maturidade de Massa se manifesta, hoje, dentro e fora das pistas. "Ser líder é bom, claro, mas as coisas mudam rápido na Fórmula 1, ainda mais com times e pilotos tão bons como concorrentes", disse. "A Red Bull tem o carro mais rápido da Fórmula 1."
E três das quatro próximas etapas da temporada serão em circuitos que, na teoria, favorecem bastante a maior eficiência aerodinâmica do carro de Vettel e Webber: o GP da China, dia 18; Espanha, dia 9 de maio, e Turquia, 30. A exceção é Mônaco, 16 de maio. "Temos de trabalhar muito. Precisamos fazer o F10 ser mais rápido, sem dúvida, e evitar problemas como o do (Fernando) Alonso, hoje."
O parceiro de Ferrari estava em nono quando quebrou o motor.
Com o sétimo lugar e o abandono do espanhol, Massa chega a 39 pontos diante de 37 de Alonso, segundo, a mesma pontuação do perigoso Vettel, jovem competente e do melhor equipamento da Fórmula 1. Em 2008, Massa assumiu também a liderança depois de vencer o GP da França, oitava do calendário.
A disputa se mostra espetacular, por apresentar Jenson Button, McLaren, e Nico Rosberg, Mercedes, em terceiro, com 35, e Lewis Hamilton, McLaren, sexto colocado e um dos melhores ontem, na quarta posição do Mundial, com 31 pontos.
Ao contrário dos rumores irresponsáveis que circularam nos últimos dias, de que Robert Kubica, ótimo piloto da Renault, quarto na Malásia, poderia substituir Massa na Ferrari em 2011, as negociações para renovar seu contrato com os italianos estão avançadas e o anúncio não deve demorar. O tempo do compromisso dá o tom da confiança na Ferrari em Massa: três anos.
Apesar de líder do campeonato, a expressão de Massa não era das melhores depois da corrida. "Satisfeito, feliz da vida, não estou. Se não fosse o problema na classificação, não digo que daria para vencer, mas chegar ao pódio seria possível e eu somaria bem mais pontos."
Sábado ele e Alonso demoraram para entrar na pista, começou a chover e ambos não passaram da Q1, a primeira parte do treino. "Agora é pensar o que fazer para ser mais veloz na China", disse o brasileiro. A ameaça da Red Bull à Ferrari na liderança do Mundial de Pilotos e Construtores é real.




