Sebastian Vettel, com o troféu pelo triunfo em Monza na mão, faz o tradicional gesto de número 1: bicampeonato cada vez mais próximo do piloto da Red Bull| Foto: Dimitar Dilkoff/AFP

Um domínio, duas explicações

Três horas após a bandeirada do GP da Itália, quando o paddock da F1 parecia um campo de batalha para ver quem empacota seus equipamentos mais rápidos, encontrei Ross Brawn sozinho na saída do motorhome de sua equipe, a Mercedes GP, em Monza.

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Confira a classificação do GP da Itália
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Sebastian Vettel, da Red Bull, venceu este ano o GP de Mônaco – pista de rua, a mais lenta do calendário. Foi primeiro também na Bélgica, no desafiador traçado de Spa-Fran­corchamps, sob as temperaturas mais frias da temporada até agora: 15 graus. E ontem, no circuito mais rápido do calendário, em Monza, sob sol de 30 graus, não teve ninguém que ameaçasse a sua oitava vitória no ano.

Em outras palavras, a Red Bull desenvolveu um carro que, em condições normais, não importa o desafio, é imbatível. Conduzido por um piloto tão eficiente que, apesar de ter apenas 23 anos, já na próxima etapa, dia 25, em Cingapura, seis antes do fim do campeonato, pode definir o bicampeonato. Para isso, precisa ampliar a atual diferença de 112 pontos para o vice Fernando Alonso para 125..

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Trajetórias excepcionais como as de Vettel e da Red Bull, este ano, criam problemas a quem descreve seu sucesso. Os superlativos começam a ficar escassos. Se no circuito de Monza, que o próprio Vettel deu a entender ficar satisfeito com um pódio, ele acabou vencendo, com enorme vantagem sobre Jenson Button, da McLaren, o segundo colocado, e Fernando Alonso, Ferrari, o terceiro, o que esperar das demais seis provas que restam? Outro resultado que não a sua vitória passa a ser surpreendente.

Por esse motivo e diante da diferença de pontos imposta à concorrência, as provas do Japão, Coreia do Sul, Índia, Abu Dabi e Brasil poderão, no máximo, assistir à definição do vice-campeão entre Alonso, Button, Mark Webber, da Red Bull, que abandonou o GP da Itália, e Lewis Hamilton, da McLaren, quarto em Monza.

Vettel não conteve o choro no pódio, diante de milhares de torcedores sempre inflamados – assinatura das corridas no circuito italiano, inaugurado ainda em 1922. "Me veio à mente as fortes emoções vividas aqui na mi­­nha primeira vitória na Fórmula 1", disse. Foi em 2008, com a modesta Toro Rosso, sob chuva a prova inteira, depois de largar na pole position. O imenso talento de Vettel já despontava de forma inquestionável. Com a de ontem, o alemão soma 18 vitórias na Fórmula 1.

"Posso [ser campeão]?" Reagiu Vettel ao ser questionado a respeito do seu primeiro "match point". "Não pensei nisso. É um erro planejar. Vou encarar o GP de Cingapura como uma etapa normal do calendário. Depois, vamos ver." Mais tarde, lembrou ter sido essa a receita para ser campeão no ano passado, na última prova, em Abu Dabi. Vettel comentou sobre o resultado inesperado, em voz pausada, como se refletisse o seu momento. "É incrível o salto que nossa equipe deu de 2010 para cá."