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Copa das Confederações

Fortaleza começa a usufruir de força política

Articulação de governador e parlamentares faz da capital cearense a "queridinha" das Copas do Mundo e das Confederações

Estrela da seleção brasileira, Neymar é uma das atrações desta tarde no Castelão | Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo
Estrela da seleção brasileira, Neymar é uma das atrações desta tarde no Castelão (Foto: Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo)

Fortaleza começa a desfrutar, hoje, da mais generosa agenda de jogos das Copas do Mundo e das Confederações. Brasil x México é a primeira das nove partidas que o Castelão receberá nos dois torneios. A seleção voltará ao menos mais uma vez à capital cearense. Pode vir outras duas. Presença maior do que em qualquer outro estádio selecionado para as competições. Mais até do que o Maracanã, símbolo do futebol nacional, que terá dez jogos entre os dois eventos, mas só receberá o Brasil em caso de classificação à final.

A predileção por Fortaleza é resultado de forte articulação política costurada por três personagens fortemente ligados ao governo federal e com bom trânsito na CBF: o governador Cid Gomes (PSB), o senador Eunício Oliveira (PMDB) e o deputado federal José Guimarães (PT).

Irmão de José Genoino, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, Guimarães é o líder da legenda na Câmara. Coube a ele a relatoria do projeto que determinou o Regime Diferenciado de Contratação (RDC) para as obras da Copa e da Olimpíada de 2016. Na prática, o dispositivo relaxa exigências e prazos nas licitações relativas aos dois eventos.

"Quando o Brasil assumiu o compromisso, muitos duvidaram da capacidade de realizarmos eventos internacionais desse porte. Está dada a resposta. O Brasil vai, sim, realizar a Copa e vai dar um banho nos pessimistas de plantão", discursou Guimarães na inauguração, em maio, da Arena Pernambuco, último estádio a ficar pronto para a Copa das Confederações.

O Castelão foi o primeiro, em dezembro, com a presença de Dilma Rousseff. Antecedência que agradou ao Palácio do Planalto por deixar para trás o Mineirão, no estado do tucano Aécio Neves. E deu a Cid Gomes munição para disputar em visibilidade com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, seu colega no PSB e potencial adversário de Dilma na eleição do ano que vem.

Gomes já carregava uma boa relação com Ricardo Teixeira. Ambos trocaram elogios públicos diversas vezes e o cearense fez parte da comitiva de 12 governadores e 50 parlamentares que foi à Suíça, no final de 2007, acompanhar o anúncio da escolha do Brasil como sede do Mundial. A CBF bancou a viagem.

"A questão da escolha do local dos jogos é um privilégio pontual que vem na esteira do modelo de gestão que era adotado na CBF. Você me apoia no meu projeto que a seleção vai jogar aí", descreveu o senador paranaense Alvaro Dias (PSDB), que investigou Ricardo Teixeira ao presidir a CPI do Futebol, em 2001.

Terceiro trunfo político do Ceará, Oliveira articulou a migração do PMDB para a base aliada do governo Lula, em 2003. No ano seguinte, foi nomeado ministro das Comunicações. Desde o ano passado é o líder da sua legenda na Câmara, posição estratégica para a aprovação de projetos do governo.

Embora com dois ministros de Dilma – Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Comunicações) –, o Paraná não conseguiu reverter esse capital político em jogos da Copa. Curitiba receberá quatro jogos do Mundial. Todos na primeira fase. Nenhum da seleção brasileira.

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