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Basquete

Fracasso reforça necessidade de renovação

Campanha pífia no Mundial é encarada com certa resignação pelas dirigentes, que sonham em montar potência em seis anos

A brasileira Alessandra no jogo com a República Tcheca, partida que tirou a seleção de vez da briga por uma medalha no Mundial: momento de “entressafra” no país | Michal Cizek/ AFP
A brasileira Alessandra no jogo com a República Tcheca, partida que tirou a seleção de vez da briga por uma medalha no Mundial: momento de “entressafra” no país (Foto: Michal Cizek/ AFP)

O resultado ruim da seleção brasileira feminina no Mundial de Basquete – nono lugar após vencer ontem o Japão por 84 a 79 – realizado na República Tcheca, reforçou o que já se previa. Até a Olimpíada do Brasil, em 2016, com sede no Rio, a equipe passará por um processo de intensa renovação.Avaliação que vem de dentro da própria Confederação Brasileira de Basquete. "Precisamos ir aos poucos renovando a equipe e já temos um projeto fechado para pôr em prática até 2016", afirma a ex-jogadora Hortência, atualmente diretora da seleção feminina. Contestado, o treinador espanhol Carlos Colinas deverá permanecer à frente do conjunto principal.

Auxiliar de Colinas, a ex-jogadora Janeth prevê um futuro me­­lhor. "Há necessidade de renovação. Com a nova fase da CBB estamos recuperando o tempo perdido e trabalhando na base para em seis anos sermos uma potência".

No entanto, mesmo vista co­­mo indiscutível, a mudança precisa ser encarada com muita cautela. "Temos de ter muito cuidado com essa palavra [renovação]. Precisa­­mos ir mesclando jogadoras novas com experientes, dar continuidade ao trabalho que está começando", afirma a ex-jogadora Hor­­tên­­cia, atualmente diretora da CBB.

Uma das preocupações com uma precipitada mudança radical é evitar um desastre no Pré-Olímpico das Américas do ano que vem, em lugar ainda indefinido, que dará uma vaga para Londres 2012. "Mudamos tudo e não classificamos, e aí? Por enquanto, não temos material humano para tanto", complementa a Rainha do basquete nacional.

Além disso, segundo Hor­­tên­cia, pesa o fato de o Brasil ter tratado mal da base por muitos anos. "O trabalho com jovens jo­­gadoras es­­tava parado. Não é do dia para a noite que se encontra um talento. Sem contar que precisamos dar experiência internacional para as meninas". Durante 12 anos, até 2009, a CBB foi presidida por Gera­­sime Bozikis, o Grego. Hoje, o presidente é Carlos Nunes, ex-comandante da Fede­­ração Gaú­cha.

Como alento, o fato de a entidade ter reforçado a sua carta de patrocinadores, com a empresa de material esportivo Nike e o banco Bradesco. Os dois, somados ao in­­vestimento da Eletrobrás, proporcionam em torno de R$ 20 milhões anuais, de acordo com o jornal Folha de São Paulo.

Mesmo considerando o cenário incerto, já podemos apostar em al­­gumas boas promessas, como a ar­­madora Tássia (18 anos), a pivô Da­­miris (17) e a ala/armadora Aruzha (18), paranaense de São Braz. De coadjuvantes do grupo atual, em seis anos elas deverão assumir papel de protagonistas.

"A Damiris já mostrou um amadurecimento. Mas necessitamos renovar ainda mais, colocar em prática algo que já se espera há mais de 20 anos. Massificar o es­­porte e preparar as jogadoras para atuarem também na seleção", avalia José Roberto Lux, o Zé Boquinha, ex-jogador, técnico e comentarista da ESPN Brasil.

Por outro lado, deixarão a seleção já para a próxima temporada atletas experientes como a armadora Helen (37 anos) e a pivô Alessandra (36). As duas deverão seguir os passos de Hortência e Janeth e trabalhar na CBB.

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