
Em um momento de calmaria dentro das quatro linhas, após quatro vitórias consecutivas, uma greve de funcionários voltou a chamar a atenção no Paraná. Cerca de 40 trabalhadores do Centro de Treinamento Ninho da Gralha decidiram paralisar as atividades ontem.
Eles reclamam de salários atrasados e prometem continuar em greve até que os pagamentos sejam efetuados. O grupo chegou a programar uma manifestação na sede da Kennedy na manhã de hoje, porém voltou atrás e decidiu aguardar mais um pouco.
O CT Ninho da Gralha e as categorias de base do Tricolor são administrados em parceria entre o Paraná e a empresa Bom Atleta Sociedade Empresarial (Base). No acordo, a responsabilidade de pagar os salários seria da Base, mas os funcionários são registrados pelo clube.
Segundo o coordenador administrativo do CT, Jeson Emanoel, os vencimentos da maioria trabalhadores estão atrasados há três meses. "Chegamos ao quinto dia útil de mais um mês e nada. Ficou insustentável", afirmou.
As promessas e os episódios de atrasos de salários não são novidade no Paraná. No fim de 2009 e em duas oportunidades no ano passado (março e novembro), os jogadores paralisaram as atividades e não participaram de treinamentos programados. Após o fim da Série B de 2010, em cena que estampou a crise financeira do clube, um grupo de atletas passou uma tarde na antessala da presidência, na sede da Avenida Kennedy, à espera do acerto de contas.
No início deste ano, a diretoria paranista estabeleceu como prioridade colocar o setor financeiro em ordem, justamente para deixar no passado o histórico desagradável de greves. No entanto, o tema voltou à tona.
O presidente paranista Aquilino Romani jogou para a empresa a responsabilidade pelo atraso nos salários. "Lá [no CT] é a Base que cuida. Aqui [no departamento de futebol profissional] estamos com os salários em dia. De lá eu não sei", alegou.
O coordenador do CT reclama que as duas partes estariam demonstrando descaso. "A situação se agravou por causa desta falta de atitude, porque eles não vêm aqui, não sentam para conversar", aponta Emanoel. "Pedimos alguma previsão [para efetuar o pagamento], mas a conversa sempre fica para daqui três, quatro dias. Isso foi se acumulando até chegarmos à greve", complementa.
O vice-presidente financeiro do Paraná, Celso Bittencourt, explica que as despesas gerais das categorias da base são divididas. "Convencionou-se no ano passado que a Base ficaria responsável pela folha de pagamento dos funcionários e o clube arcaria com outros gastos gerais, como manutenção, alimentação e compra de materiais, porque os valores são parecidos", conta.
O vice-presidente de patrimônio do Paraná e administrador da Base, Renê Bernardi, admite o acordo estabelecido e os problemas para cumprir os compromissos. "Sabemos que os salários estão atrasados. Reconhecemos isso e temos de aceitar a greve. É um direito deles", diz Bernardi, que promete: "Amanhã [hoje] pagamos pelo menos uma parcela do que se deve".
A proposta não foi bem aceita pelos funcionários, como deixa claro Emanoel. "Queremos e precisamos de todos os salários. Vamos cobrar isso, afinal somos funcionários do Paraná."
Colaborou Robson Martins



