Terceiro colocado do último Campeonato Angolano, o Benfica de Luanda será o adversário inicial do Atlético na Casino Marbella Cup, primeira competição da pré-temporada europeia do Rubro-Negro. A partida está marcada para hoje ao meio-dia (de Brasília). Fundado em 1922, o clube da capital de Angola é um dos mais tradicionais do país e tem em seu elenco dois brasileiros: o zagueiro Jeferson e o atacante Fabrício.

Salários bons (custo de vida alto), competitividade e potencial de crescimento. Esse é o resumo da aventura africana. "É um futebol de muita força, agressividade e poucos toques de bola. É aquele futebol mais direto", explicou o atacante Fabrício Simões, 31 anos, o artilheiro da equipe.

O Benfica tem bastante prestígio em seu país. Treinado pelo angolano Zeca Amaral, o time vai na contramão do estilo local: gosta de estar com a bola, valorizando o jogo rápido. "Nossa qualidade é a posse de bola, mas quando precisa acelerar o jogo, a gente tem excelentes jogadores", garante Fabrício, lembrando que no elenco estão dois jogadores da seleção angolana: o meia Gilberto, capitão; e Rubens, outro 'selecionável'.

A formação tática que a equipe vai usar contra o Furacão ainda não está definida. "Temos treinado em vários esquemas. Se eu estivesse no lugar dele também teria grandes dúvidas pelo ótimo nível do nosso time", falou Fabrício, sem qualquer modéstia. As dúvidas pairam também sobre o Atlético, o adversário da vez, e quase desconhecido dos adversários.

O futebol em Angola está em ascensão e em desenvolvimento, mas o Brasil só virou seus olhos para lá em janeiro de 2012. Com 39 anos, Rivaldo anunciou que defenderia o Kabuscorp, rival do Benfica, também em Luanda. Em uma temporada completa, jogou 21 partidas e marcou 18 gols, tornando-se ídolo no país e abrindo o caminho para outros brasileiros.

Fabrício aproveitou a oportunidade. Depois de jogar em sete equipes de Portugal, ele aceitou o convite de um antigo treinador e chegou ao Recreativo de Caála. "Foi uma decisão difícil que tive de tomar. Financeiramente era muito bom", lembrou. Depois de meia temporada, renovou seu contrato por mais um ano, foi campeão do Angolano e contratado pelo rival Benfica. "Vir para cá vai da cabeça de cada jogador, mas eles têm de saber que encontrarão muita pobreza", acrescentou.

É nesse contraste que o elenco do time contribui para diminuir o abismo social do país. "Tínhamos uma caixinha dos jogadores quando rolava alguma multa. Juntávamos esse dinheiro, comprávamos comida, brinquedos e íamos a orfanatos da região. Quando a gente via aqueles sorrisos era muito emocionante", diz Fabrício.

Os jogos do Campeonato Angolano são disputados em estádios pequenos, mas frequentemente cheios. "No nosso cabem cinco mil e lota todo jogo", explicou Fabrício, que garante não importar aos angolanos o time que esteja jogando. "Aqui eles gostam muito dos dribles, dos gols e das jogadas bonitas."

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