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Clima

Futebol escaldante

Onda de calor manda jogadores para o hospital, muda horário de jogos e leva clubes a tomarem medidas para amenizar o desgaste dos elencos

Chicão (4,5), Marcelo Toscano (3,6), Guaru (3,3) e Murilo (2,7). A numeração ao lado dos jogadores paranistas não é referente à atuação no clássico de domingo contra o Atlético. Diz, sim, respeito ao porcentual de peso corporal que perderam após a derrota por 1 a 0, na ensolarada Vila Ca­­pa­­nema – o termômetro do instituto tecnológico Simepar, no bairro Jardim das Américas, apontava 33ºC no momento em que a bola rolou, às 16h53."Acima de 3% os atletas já têm problemas. Os movimentos, por exemplo, ficam mais retardados", explica Marcos Walczak, fisiologista do Tricolor. "Quando cansei, pedi para sair, para não atrapalhar meus companheiros, mas com o tempo técnico eu consegui ficar até o final", acrescentou o rubro-negro Chico, que aproveitou a paralisação de dois minutos, iniciativa da Federação Paranaense de Futebol (FPF) para amenizar os efeitos das altas temperaturas, para respirar fundo e se hidratar.A fadiga que marcou o segundo tempo do primeiro clássico do Paranaense-10 é apenas mais um exemplo do que o escaldante ve­­rão vem provocando nos gramados brasileiros. No Rio Grande do Sul, na semana passada, o comentarista Batista apagou durante a transmissão de Grêmio e São Luiz. O zagueiro gremista Rafael Marques, depois da partida, baixou hospital.

A situação obrigou a Jus­tiça gaúcha a intervir, proibindo a realização de jogos entre 10 h e 18 h, e entre 18 h e 19h30 quando o termômetro passar de 35ºC, acatando a um pedido do sindicato local de atletas profissionais.

Em Minas Gerais, o vo­­lante Moisés, do Amé­rica-MG, desmaiou em campo durante o empate por 0 a 0 com o América de Teófilo Otoni, pelo Campeonato Mi­­neiro, também no domingo. A partida foi disputada às 11 h, com os termômetros cravando 40ºC.

Ainda não houve registro de casos semelhantes no estado. No interior, o elenco do Nacional de Rolândia foi quem mais sofreu. Antes do confronto com o Toledo, na semana passada, seis jogadores, o massagista e um diretor do clube passaram mal no hotel em que a delegação costuma se concentrar, em Cambé, com sintomas de intoxicação alimentar. O za­­gueiro Diego precisou sair do jogo no intervalo – direto para o soro, no hospital da cidade. "Não dá para entender. Se todos nós comemos o mesmo cardápio, por que só alguns ficaram doentes?", indaga Fernando Leite, supervisor do NAC, citando outra cena comum na estação.

De acordo com especialistas não existe segredo para conter a força do sol. A solução é se hidratar. Quanto mais, melhor. "Ten­­tamos orientá-los de que não é preciso sentir sede para se hidratar. A sede é um reflexo tardio de que a 'máquina' está fervendo", afirma Cristiane Carvalho, nutricionista do Atlético, que coloca à disposição dos boleiros um arsenal de repositores líquidos – água, água de coco, chá, isotônicos e uma mesa de frutas no vestiário.

Há também modernos produtos anti-insolação nas "farmácias" dos clubes. "Aqui no Paraná usamos pastilhas de sódio (dadas no intervalo dos jogos), um carboidrato chamado maltodestrina, o PCA, que é uma cápsula de proteína...", cita Walczak. Mesmo assim, o atacante Marcelo Toscano quase desmaiou após o empate por 0 a 0 com o Corinthians-PR (no dia 4/2 – 31,7ºC em Curitiba). "Ele fi­­cou bem mal no vestiário, a pressão abaixou", explica o fi­­siologista.

"A Federação está de parabéns por ter criado a parada técnica", emenda Lúcio Ernlund, coordenador médico do Coritiba, que ainda não conseguiu convencer todos os boleiros a aderir ao protetor solar. "Muitos não gostam de usar por uma questão cultural. Dizem que ficam melecados".

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