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Seleção brasileira

Após denúncia, Dunga nega ter sido agente de jogadores

Reportagem da ESPN mostrou documentos comprovando que treinador recebeu mais de R$ 400 mil em transferência do meia Ederson em 2004

Dunga, durante a apresentação como técnico da seleção brasileira na terça-feira | Ricardo Moraes / Reuters
Dunga, durante a apresentação como técnico da seleção brasileira na terça-feira (Foto: Ricardo Moraes / Reuters)

De acordo com reportagem da ESPN, o técnico da seleção brasileira Dunga já esteve envolvido com transferência de jogadores. Com base em documentos, a matéria mostra que em 2004 uma empresa dele recebeu mais de R$ 400 mil na venda do jogador Ederson do RS Futebol Clube para o grupo IPC (Image Promotion Company). O treinador negou por meio da assessoria de imprensa da CBF.

Segundo a denúncia, a IPC adquiriu 75% dos direitos do meia, que foi cedido ao Nice, da França. Ederson, atualmente na Lazio, foi negociado pelo RS com o grupo em 14 de janeiro de 2014, por US$ 1,5 milhão. Dunga teria intermediado o negócio, recebendo por isso comissão de R$ 407.384,08, paga pelo clube gaúcho.

A participação do atual técnico da seleção foi atestada, na reportagem, por meio de uma nota fiscal da "Dunga Empreendimentos, Promoções e Marketing Ltda", de 20 de maio daquele ano, por um recibo com a sua assinatura (Carlos Caetano Bledorn Verri) e pelo comprovante bancário de transferência do clube para a empresa, no valor discriminado na nota.

A reportagem da Agência estado tentou falar com Dunga por telefone nesta quinta-feira, sem sucesso. À ESPN, o treinador, por meio da assessoria de imprensa da CBF, afirmou "não ter participação alguma na venda dos direitos sobre o vínculo do referido jogador".

Em sua primeira passagem pela seleção, entre 2006 e 2010, Dunga jamais convocou Ederson. O meia seria chamado por Mano Menezes uma única vez para um amistoso contra os Estados Unidos realizado em 8 de agosto de 2010. Jogou três minutos, sofreu grave contusão e não mais voltou.

Na época da negociação de Ederson em 2004, o IPC foi representado pelo empresário italiano Antonio Caliendo. O grupo tem sede em Mônaco, na Avenue Princesse Alice, no mesmo endereço da World Champions Club (WCC), empresa de agenciamento no futebol que tem Caliendo entre seus gestores e Dunga como um de seus "últimos clientes".

A WCC também gerencia as carreiras de Ederson, de Maicon (titular da seleção de Dunga na Copa de 2010), além do futebol do clube inglês Queens Park Rangers. O vínculo com o QPR vem desde 2004 e Dunga tem cargo no conselho de gestão do clube.

Sobre a WCC, o treinador diz "não ter vínculo com a empresa em questão" e que esta empresa o representou quando ele era jogador. No atual comando da seleção brasileira também está Gilmar Rinaldi, nomeado coordenador geral, que até duas semanas atrás era empresário de jogadores.

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