
O enredo é aquele manjado. O Atlético ia mal, com extrema dificuldade para superar a retranca do Bahia que jogou o segundo tempo inteiro com um atleta a menos, expulso e parecia desperdiçar a chance de faturar na Vila Capanema a quarta vitória consecutiva no Brasileiro. Até Paulo Baier, sumido até então, aparecer.
Eram jogados 36 minutos da etapa final quando Elias encontrou Dellatorre dentro da área, o atacante escorou de peito e o veterano de 38 anos bateu de primeira. Gol solitário que representou o triunfo por 1 a 0, ontem à noite, e reforçou o histórico de salvador do meia no Furacão.
Foi a segunda aparição decisiva do camisa 10 desde a chegada do técnico Vagner Mancini. Na vitória sobre a Portuguesa (3 a 2), Baier também invadiu a área, aos 47 minutos do segundo tempo, para não deixar dúvidas sobre uma bola que já havia tocado dentro da meta em arremate do lateral-direito Léo.
Assim, graças ao socorro do velho ídolo, o Rubro-Negro prossegue com a arrancada na competição. Com as quatro vitórias seguidas, fugiu da rabeira da tabela para brigar pela Libertadores. Hoje está em quinto lugar, com 19 pontos, a mesma marca do Vitória e um atrás do rival Coritiba. E com o complemento da rodada, hoje, só o Grêmio pode ultrapassar o Furacão.
"Eu entro em campo pensando na vitória. Foi um jogo muito difícil. Mas a disposição de todos fez com que conseguíssemos o resultado. A vitória foi de todos os atletas e do [Vágner] Mancini", declarou Baier, ainda no gramado, enquanto era ovacionado pelo torcedor atleticano.
A chegada do novo treinador representou um alívio para o carequinha. Após a troca de comando, o meia reclamou que vinha sendo subaproveitado pelo demitido Ricardo Drubscky. Com Mancini, Baier foi titular em quatro das cinco partidas no Nacional, sendo poupado do compromisso com o Atlético-MG, em Belo Horizonte.
"É um atleta que tem uma história aqui. Ele tem nos ajudado muito, tem a aceitação dos atletas. Além do contato de campo, nós temos tido muitas conversas para saber o momento de aproveitá-lo", comentou Mancini, invicto no Brasileiro, com quatro vitórias e um empate.
Sorteado para o exame antidoping, Baier ainda "driblou" o médico para cumprimentar os companheiros no vestiário. "Ele tinha que ir direto para o doping, mas foi dar um abraço em todos, um gesto que demonstra muita coisa", analisa Mancini.
Além de ajudar o clube que defende desde 2009, o meia tem outro objetivo neste Nacional. Pretende alcançar 100 gols desde que o campeonato passou a ser disputado por pontos corridos, em 2003. Com o de ontem, bateu em 93. "Vamos pensar jogo a jogo, mas talvez chegue ao centésimo [gol] ainda este ano", diz.
Na próxima rodada, o Atlético enfrenta o Internacional, domingo, às 18h30, no Estádio do Vale, em Novo Hamburgo.




