
Apontado como um dos motivos para a saída do vice-presidente de futebol, João Alfredo Costa Filho, o método de contratações do Atlético mudou em 2013. Ganhou um departamento exclusivo e um software para a garimpagem de jogadores. Mas até o momento entregou muito mais quantidade do que qualidade ao reforçar o Rubro-Negro.
Desde o início do ano, funciona no Furacão um departamento de inteligência, responsável por manter um banco de dados de jogadores a serem contratados. O setor é chefiado por Pedro Martins, funcionário do marketing de 2006 a 2009, que retornou à Baixada neste ano, após passagens pelo Queen's Park Rangers, da Inglaterra, o Olé Brasil e a Federação Paulista.
Ao lado dele trabalha Luiz Greco, diretor de relações internacionais do Atlético, com experiência no Cruzeiro e dono de uma empresa de gerenciamento esportivo com trânsito no Leste Europeu. Há um terceiro integrante, remanejado de outro departamento.
O trio trabalha com o auxílio de um software que, segundo a Gazeta do Povo apurou, foi desenvolvido por Antônio Carlos Gomes, ex-diretor científico do CT do Caju. O programa fornece estatísticas completas dos alvos do clube. Um procedimento normal no exterior há cerca de uma década e em expansão no Brasil, mas que no Atlético tem uma particularidade. Enquanto no mundo inteiro os observadores fazem uma triagem e levam os nomes à direção, no Furacão o caminho é inverso.
"Os dados servem simplesmente para referendar a contratação que a presidência determinou anteriormente. Eles fazem uma análise do jogador e passam o parecer para o presidente. Sendo contrário ou favorável [o parecer], fica a critério único e exclusivo dele a contratação", contou o ex-vice.
Costa Filho cita as contratações do meia espanhol Fran Mérida e do atacante Dellatorre, que veio recentemente do Porto B. "Já estava concretizado o negócio. Fica só pró forma para ter um documento que referende o que estava decidido", explicou o ex-dirigente.
Dellatorre ainda aguarda a publicação do seu nome no BID para poder estrear. Mérida tem sofrido com contusões e jogou apenas 39 minutos. É o padrão das contratações do Atlético neste ano, período com o departamento de inteligência em funcionamento. O Furacão contratou 25 jogadores em 2013. Apenas quatro foram titulares e dois ficaram no banco no Atletiba. Para Costa Filho, números que comprovam uma política equivocada do clube, que deixa em segundo plano até o diretor de futebol Antônio Lopes.
"O Lopes tem poder limitado. O aquário dele é muito pequeno", diz o ex-dirigente. "Temos de contratar por 'olhômetro', com pessoas experientes no futebol, não por meio de pessoas técnicas com auxílio do computador", criticou.
Ano passado, Costa Filho participou diretamente da remontagem do time durante a Série B. Um pacote de dez jogadores elaborado por ele, o ex-diretor geral Dagoberto dos Santos e a comissão técnica. Aquisições no formato tradicional, com observação in loco e contatos com informantes.
"A inteligência éramos nós", resumiu Costa Filho, ironizando o departamento que, ao menos no Atlético, ainda não deu o retorno que clubes do mundo inteiro colhem com procedimento similar.



