
Desde que chegou ao Atlético, em junho de 2009, a oportunidade de ser campeão nunca esteve tão próxima de Paulo Baier. O veterano, que viu a torcida exercer papel fundamental na sua renovação de contrato por mais um ano, está a dois jogos de conquistar seu primeiro título com a camisa rubro-negra. E também de calar o presidente do clube, Mario Celso Petraglia, que debochou do fato de o meia não ter dado nenhuma volta olímpica pelo Furacão.
Individualmente reconhecido, ele agora quer a taça da Copa do Brasil para se consagrar "coletivamente" pelo Furacão. A decisão começa a ser jogada na próxima quarta-feira, contra o Flamengo, em Curitiba.
Com a marca pessoal atingida ele se tornou o primeiro a marcar 100 gols em Brasileiros de pontos corridos o Maestro tem mais tranquilidade para buscar a taça que o levaria a outro nível no rol dos ídolos do clube. Amanhã, ele será poupado do duelo com o Botafogo pelo Nacional.
"É o sonho dele. E o nosso também", revela o agricultor Éder Baier, 33 anos, irmão mais novo do atleticano. "Ser campeão da Copa do Brasil seria uma coisa linda. Imagina ter a possibilidade de jogar uma Libertadores aos 39 anos e na melhor fase da carreira? Ele está superemocionado e motivado", acrescenta Éder, que vive no interior de Ijuí-RS, cidade natal da família Baier.
Jogador de bocha nas horas vagas o melhor que há na região, segundo o irmão , o velhinho repete no Rubro-Negro uma sina de toda a carreira. O título pernambucano de 2009, pelo Sport, é sua conquista mais recente. Raras são as outras.
Antes disso, ele só comemorou outras quatro vezes em 18 anos de estrada. Há 11, venceu a Série B pelo Criciúma e, na temporada anterior, o Mineiro pelo América. No Coelho, Baier ainda venceu a Sul-Minas de 2000, enquanto pelo Tigre, levantou a taça do Catarinense de 1998.
Troféus escassos para um nome que virou sinônimo de gols. Não por culpa dele, defende o empresário Neco Cirne, que compara a situação com a do técnico paranaense Cuca, taxado de perdedor até vencer a Libertadores neste ano pelo Atlético-MG.
"Acontece a mesma coisa com o Paulo. A culpa não é só dele, futebol não é jogado sozinho, mas o importante é que ele sempre esteve nos clubes de chegada", opina Cirne.
Mesmo sem título, o talento do meia ganhou destaque em clubes como Goiás (2004 e 2005) e Palmeiras (2007 e 2008). Apenas no Esmeraldino conseguiu a classificação ao torneio continental, situação que pode voltar a acontecer no Atlético pelo Brasileiro ou pela Copa do Brasil.
E não há a mínima dúvida sobre qual é a forma preferida. Diante do Flamengo, no Maracanã, para entrar para a história. "Título é título. Marca o jogador para sempre", crava Éder, que garante que a habilidade do irmão vem do pai Elemar, o Nani, uma lenda do futebol ijuiense.
A cidade que também revelou Dunga hoje é toda atleticana.



