
Não é de hoje que Atlético e Federação Paranaense de Futebol (FPF) percorrem caminhos distintos. A rodada derradeira do segundo turno é um bom exemplo desta "contramão". No domingo, a alegria de um significará de certo modo a tristeza do outro.
O Rubro-Negro comemora se vencer o Operário, às 15h50, em Ponta Grossa. Resultado que lhe garante o título da fase, a classificação para a final e o sucesso da estratégia de usar o time sub-23 durante todo o regional. Desfecho que para a FPF significará uma decisão com menos público no estádio, já que a Vila Olímpica, casa provisória atleticana, tem capacidade bem inferior a do Estádio do Café, palco do Londrina, adversário direto do Furacão; arrecadação menor (a entidade tem direito a 10% da renda); e a ausência de transmissão da tevê justamente nos dois principais jogos do campeonato.
Presidente da FPF, Hélio Cury admite que "o futebol do Paraná perderá muito" com dois Atletibas na decisão. "Os jogos não terão transmissão da tevê e o público será menor, com um dos clássicos jogados no máximo para 8 mil pessoas", argumenta. "O cartão de visitas [para patrocinadores] de 2014 é o Paranaense do ano anterior. O prejuízo é total", emenda.
Mas é o caixa o que mais pega. Na soma dos dois Atletibas disputados neste ano, a FPF amealhou R$ 49.149,70. Apenas a renda de Londrina x Coritiba, decisão do primeiro turno, no dia 3 de março, rendeu à Federação R$ 87,7 mil. Matemática que, segundo Cury, não preocupa a FPF. "O que é R$ 50 mil para quem deve R$ 70 milhões? A renda não resolveria o problema da Federação", admite. "Londrina e Coxa na final teria no total cerca de 60 mil pessoas de público. Dois Atletibas, pelo fato de um deles ser na Vila Olímpica, teria no máximo 40 mil, além da ausência das pessoas que gostam de ver pela televisão", acrescenta o dirigente.
No que diz respeito à transmissão tevê, o presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, afirmou que não pretende negociar apenas os jogos finais. Eduardo Boschetti, diretor da unidade de negócios da RPC TV, que transmite o campeonato, confirma que não há nenhuma negociação em andamento. "Mas a RPC TV gostaria de contar com o Atlético para o campeonato do próximo ano. Sem a tevê quem perde é o torcedor, o Atlético, todos. Perde o estado do Paraná", ressalta Boschetti.
Em caso se confirmar o Atletiba na decisão, a tendência é que a RPC TV faça a transmissão da final do interior no mesmo horário.



