Os campeões na era dos pontos corridos: Alex (Cruzeiro, 2003), Ricardinho (Santos, 2004), Roger (Corinthians, 2005) e Rogério Ceni (São Paulo, 2006, 2007 e 2008)| Foto: Paulo Whitaker/Reuters - Marcelo Alves - Bruno Domingos/Reuters - Rickey Rogers/Reuters - Vipcomm -

Torcedor, a salvação

Quem não tem Ronaldo, vai de mãos dadas com o torcedor. A tendência nacional são os planos de sócios — a partir do exemplo bem sucedido do Internacional (80 mil inscritos) e Grêmio (52 mil). Os gaúchos têm o maior aporte vindo da bilheteria, seguidos por São Paulo (32 mil) e Atlético (22 mil). O Coritiba possui cerca de 19 mil inscritos no plano de fidelidade. O torcedor também é alvo em outra área: a audiência na tevê. Para esta temporada, os clubes receberão cerca de R$ 300 milhões das emissoras, com o montante dividido em grupos. Além disso, há uma remuneração extra para quem vender mais jogos ou pacotes no sistema pay-per-view. A divisão foi feita com base em uma polêmica pesquisa sobre a participação das torcidas na compra do produto.

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A crise econômica inibiu investidores, enfraqueceu o mercado e acentuou a desigualdade do futebol brasileiro. Se a maioria dos times sofre para superar o momento de "vacas magras", alguns dão braçadas na "marola" (verbete do presidente Lula para a retração financeira).

Prova dessa lógica começa na busca por receitas publicitárias. Enquanto Atlético, Coritiba, Atlético-MG, Flamengo e Cruzeiro estão sem patrocínio ‘master’ (espaço nobre) da camisa, o Corinthians – justamente a grande exceção — nunca faturou tanto com o loteamento do uniforme.

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Nas finais do Campeonato Paulista, por exemplo, o clube do Parque São Jorge ostentou três marcas: nas mangas, peito e costas.

O motivo do sucesso ninguém duvida: a contratação de Ronaldo (especula-se com salários de R$ 400 mil líquido, além de uma fatia dos ganhos em propaganda).

A Batavo, empresa de latícinios, bancou um contrato de R$ 18 milhões para se associar ao time do Fenômeno. É o maior acerto do futebol brasileiro nesse setor de marketing.

Graças a essa volta redentora do "Gordo", que além do fluxo em caixa aumentou consideravelmente a mídia corintiana, outros times da elite seguem o exemplo de apostar na imagem de estrelas – mesmo sendo de menor intensidade. O Fluminense aposta em Fred; o Cruzeiro fechou com Kléber; e o Flamengo dá uma nova chance para Adriano – o 2º na hierarquia dos astros da competição.

"O Adriano é um ótimo garoto, cria da casa, rodou o mundo e voltou para ser o Imperador da Gávea", alardeou o presidente flamenguista, Márcio Braga.

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"Sou o homem mais feliz do mundo jogando no Corinthians, fazendo o que eu gosto, independentemente do quanto está entrando na minha conta", garantiu o camisa 9 do Timão à imprensa.

Para Eduardo Jaime, diretor de marketing do Coritiba, a aposta em "medalhões" parece certeira para superar o momento de incerteza. "O Alex (do Fenerbahce, da Turquia) teve uma proposta feita por nós, mas não houve o aceite do atleta. É um triângulo a se fechar: os interesses e a parte financeira. Mas não é impossível repatriar um jogador", conta.

"Não tenha dúvida de que ter personalidades, com forte apelo de mídia e comercial, traz um maior retorno tanto para o clube quanto aos parceiros", segue o coxa-branca. "Mesmo assim, o Coritiba não pode trabalhar em cima de eventos dos outros. Teremos ações para conseguir mais sócios, melhor arrecadação, mas por conta própria."

No Atlético, a estratégia é vista com ressalvas. "Nós tentamos aproveitar o jogo da Copa do Brasil (29/4), com a exibição do Ronaldo, para mostrar um novo patrocínio", diz Henrique Gaede, diretor de marketing rubro-negro. Na ocasião do duelo em Curitiba, patrocinadores de São Paulo procuraram o clube (CNA, escola de idiomas). "Que o Ronaldo vai valorizar o campeonato, não há questionamentos. Mas não acho que isso fará valer mais ou menos a camisa dos clubes que não têm ele em campo."