Quando o Brasileiro passou a ser disputado com a fórmula por pontos corridos, em 2003, muita gente torceu o nariz. Nove edições depois é possível afirmar que o sistema pegou. A cada ano, não há como prever quem serão os campeões ou rebaixados. A adoção do sistema, que premia a regularidade, também alterou o cenário do futebol nacional.
As nove taças levantadas até aqui acabaram, praticamente, nas mãos de equipes do eixo Rio-São Paulo. Não por acaso, os clubes com mais potencial financeiro e donos das cotas mais gordas oferecidas pela televisão. Foram três títulos do São Paulo, dois do Corinthians, um do Santos, um do Flamengo, um do Fluminense e somente o Cruzeiro como intruso.
Por outro lado, equipes poderosas também foram atingidas pelo rebaixamento, casos do Corinthians, Vasco, Palmeiras, Grêmio, Atlético-MG e Botafogo. Prova de que só grana não é o suficiente para montar bons times. É preciso ter organização.
"Os pontos corridos permitem que os clubes se planejem mais, e isso também faz a diferença. Todas as equipes ficam até o fim da disputa. Antes alguns pulavam fora em outubro. Com isso, as empresas também se interessaram mais em investir no esporte", explica Erich Beting, especialista em marketing esportivo.
Polarização não ameaça disputa
Com a fórmula devidamente estabelecida, a preocupação agora é com uma possível "espanholização" do Brasileiro. Na terra dos campeões mundiais, 20 equipes jogam o campeonato, mas apenas Barcelona e Real Madrid disputam o título.
A polarização por aqui seria um efeito colateral do desequilíbrio financeiro, reflexo, principalmente, da distribuição desigual das cotas de televisão. Com grande número de torcedores, Flamengo e Corinthians ficam com a fatia maior do bolo. Atualmente, as duas equipes recebem R$ 84 milhões cada da Rede Globo. São Paulo, Palmeiras, Santos e Vasco ficam com R$ 75 milhões. Enquanto outros oito clubes recebem R$ 29 milhões entre eles, Atlético, mesmo na Série B, e Coritiba.
No entanto, a divisão entre somente dois concorrentes não chega a ser uma ameaça. "Não há como dois times polarizarem. O que vai acontecer é que alguns vão se destacar mais, e talvez clubes grandes virem médios", diz Fernando Ferreira, economista especializado em futebol.



