
A um jogo de igualar o feito de Pelé pelo Santos e se tornar o jogador que mais defendeu um mesmo clube no futebol brasileiro, Rogério Ceni encerrou nesta quarta-feira (13) o jejum de gols que durava desde julho. Em Itu, ele marcou de pênalti, pôs fim a uma incômoda série de quatro cobranças desperdiçadas e abriu o placar para a vitória do São Paulo por 2 a 0 sobre o Flamengo.
Agora o Tricolor depende de mais um revés do time carioca para sonhar com a chance de ir à Libertadores pelo Brasileirão. Isso porque se o Atlético vencer o Flamengo na final da Copa do Brasil e seguir no G4 do Nacional, abre mais uma vaga na próxima edição do torneio continental. O São Paulo foi a 49 pontos, em sétimo lugar, contra 54 do Botafogo, o quinto colocado.
A prioridade, porém, é o título da Sul-Americana, que também vale vaga na Libertadores. Por isso a tendência é o técnico Muricy Ramalho poupar o time contra o Fluminense, domingo, no Maracanã. Na quarta pega a Ponte Preta pelas semifinais da competição continental. Na sequência, confronto direto com o Botafogo, novamente no interior, porque cumpre perda de mando de campo.
O Flamengo também tem outra prioridade. No domingo visita o Grêmio em Porto Alegre e deve escalar reservas. Com 45 pontos, tem chances remotas de cair. Na quarta, enfrenta o Atlético no primeiro jogo da final da Copa do Brasil.
O jogo
A partida começou de forma inusitada. O São Paulo deu a saída e jogou a bola para Elias, que devolveu para Denilson. O são-paulino tocou para Hernane e este retribuiu para Wellington. A bola então chegou a Rogério Ceni, que deu um chutão até Paulo Victor. Os dois goleiros ficaram trocando bola até que o relógio chegasse a um minuto. Só aí o São Paulo deu início ao jogo.
A cena se deu porque o árbitro Alicio Pena Júnior vetou o protesto do Bom Senso FC. Foi combinado pelo grupo que, em todos os jogos do Brasileirão, os atletas permaneceriam alguns instantes de braços cruzados em protesto contra o calendário da CBF.
Alicio ameaçou punir os jogadores caso fizessem isso. Rogério Ceni então reuniu os dois times e sugeriu a nova forma de protesto. Enquanto uma equipe passava a bola para o outra, os demais seguiam parados. E Alicio não podia fazer nada.
Depois de mais um minuto de jogo de verdade a partida precisou ser paralisada. Desta vez porque um irrigador do Novelli Júnior foi ligado e atrapalhou por cinco minutos.
Quando tudo voltou ao normal, São Paulo e Flamengo fizeram um bom primeiro tempo. Diferentemente de outras partidas, o time paulista tinha uma zaga consistente, com Rodrigo Caio e Antônio Carlos. Na frente, Ademilson era mais perigoso que Luis Fabiano, enquanto Aloísio, poupado, via tudo da tribuna.
O São Paulo ameaçava bem mais que o Flamengo e poderia ter ido para o intervalo na frente, não fossem as chances perdidas por Douglas - que recebeu nas costas da zaga, sozinho, e errou o domínio -, e Luis Fabiano, que chegou atrasado num lindo passe de calcanhar de Douglas e foi antecipado pelo goleiro Paulo Victor. Rogério Ceni tentou de falta e mandou por cima do travessão.
O goleiro iria mais uma vez ao ataque, numa falta que parou na barreira, antes de abrir o placar. Já na segunda etapa, aos 2 minutos, Luis Fabiano foi travado por Elias e caiu na área. Ceni assumiu a responsabilidade, bateu o pênalti no canto direito de Paulo Victor e acabou com o jejum. Na comemoração, muita festa e muitos tapas na cabeça. Homenagem dos são-paulinos ao ausente Aloísio - que comemora gols acertando os companheiros.
O segundo saiu aos 17 minutos. André Santos errou passe e deu para Ganso. O meia foi muito mais preciso. Com tranquilidade, rolou para Ademilson. O atacante também foi bem. Bateu de primeira, tirando de Paulo Victor.
Parecendo desinteressado, o Flamengo não reagiu, permitindo que o São Paulo continuasse mandando no jogo. Ademilson até mandou a bola mais uma vez para a rede, mas o lance estava parado por impedimento.
FICHA TÉCNICA:
SÃO PAULO 2 X 0 FLAMENGO
SÃO PAULO - Rogério Ceni; Paulo Miranda, Antônio Carlos, Rodrigo Caio e Reinaldo; Denilson, Wellington, Douglas e Paulo Henrique Ganso; Ademilson e Luis Fabiano. Técnico - Muricy Ramalho.
FLAMENGO - Paulo Victor; Léo Moura, Chicão, Wallace e André Santos; Amaral, Luiz Antonio, Elias e Carlos Eduardo (Bruninho); Paulinho e Hernane. Técnico - Jayme de Almeida.
GOL - Rogério Ceni, de pênalti, aos 3, e Ademilson, aos 17 minutos do segundo tempo.
ÁRBITRO - Alicio Pena Junior (MG).
CARTÕES AMARELOS - Paulo Miranda, Antônio Carlos, Denilson, Ademilson, Luis Fabiano, André Santos e Amaral.
RENDA - R$ 170.311,00.
PÚBLICO - 15.636 pagantes.
LOCAL - Estádio Novelli Júnior, em Itu (SP).



