
O técnico Juan Ramón Carrasco usa uma lógica quase escolar para avaliar a produtividade do time. Quem cumpre bem o que é pedido pelo treinador, ganha mais tempo dentro de campo e vai acumulando créditos o equivalente às estrelinhas dadas pelas professoras em sala de aula. Quem não dá conta do recado, porém, perde pontos com o comandante uruguaio.
O que ninguém conseguiu compreender com perfeição são os critérios para dar ou tirar créditos dos jogadores. Dono da metodologia rubro-negra, Carrasco resume a cartilha, sem se aprofundar. "O atacante tem de fazer gols, quem está no meio tem de recuperar bolas e, a defesa, [fazer] com que o rival chegue pouco [ao ataque] e não crie muitas chances."
Quanto mais créditos vai acumulando, mais jogos o atleta tem garantido pela frente. É o caso do goleiro Rodolfo, o único que atuou todos os minutos nesta temporada. "Ele tem muito crédito, para mais uns três ou quatro jogos", assumiu o técnico.
Mas nem sempre a regra é cumprida à risca. Um jogo muito abaixo da média pode zerar os créditos e fazer com que o jogador tenha de recuperar, em ritmo mais lento, a confiança do comandante. De imediato, o resultado é ir para o banco de reservas ou, em alguns casos, deixar de ser relacionado para as partidas.
Quem já provou os dois lados desse sistema foi o zagueiro Gustavo. Ele tinha nota alta com a comissão técnica, mas a derrota por 3 a 0 para o Londrina, na primeira rodada do returno do Paranaense, o jogou para a turma do fundão.
Ele não ficou nem no banco na partida seguinte. Depois de entrar durante o jogo contra o Sampaio Corrêa-MA, agora retoma a titularidade, pelo menos de forma temporária Manoel fez uma cirurgia no nariz e desfalca o Rubro-Negro amanhã diante do Rio Branco.
Em todo o elenco atleticano, formado por 26 jogadores, existem vários níveis. Alguns estão com créditos de sobra, como Deivid, Marcinho, Bruno Mineiro, Bruno Furlan, Heracles, Manoel e Rodolfo. Outros estão patinando, inclusive os que desembarcaram recentemente no CT do Caju.
"Nem todos estão na mesma sintonia futebolística, então, temos de emparelhar de algum jeito. Para alguns [falta muito], como Patrick, Léo, Gabriel Marques e Rafael [Schmitz]", exemplificou. Os dois últimos chegaram nesta semana ao Furacão.



