Após intensa reforma, o Estádio Vitorino Gonçalves Dias, o VGD, vai abrigar temporariamente o Londrina no Estadual.| Foto: Marcus Ayres/Gazeta do Povo

A partida desta quarta-feira (24) entre Londrina e Paraná será marcada por reencontros. Após mandar três partidas do Paranaense em Arapongas, o Tubarão volta a jogar em sua casa, o que não acontecia desde novembro do ano passado, quando venceu o Vila Nova-GO no primeiro duelo da final da Série C. No entanto, desta vez, o palco da partida não será o Estádio do Café – que recebe novo gramado – mas sim um velho conhecido do torcedor alviceleste: o Vitorino Gonçalves Dias (VGD).

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Três mudanças

Para o duelo com o Tricolor da Vila Capanema, o técnico Cláudio Tencati deve fazer pelo menos três mudanças em relação ao time que começou a última partida. Com suspensão de Paulinho Moccelin pelo terceiro cartão amarelo, Zé Rafael deve começar entre os titulares. Após deixar o Coritiba, o meia fez sua reestreia no LEC no segundo tempo contra o Rio Branco, quando marcou um gol. Recuperado de uma lesão, o lateral-direito Romário retorna ao time no lugar de Raí Ramos. Já o volante Germano, poupado contra o Rio Branco por conta de uma enxaqueca, assume a posição que estava com Bidía. A expectativa é de que Tencati escale o time titular com: Marcelo Rangel; Romário, Silvio, Luizão e Paulinho; Jumar, Germano, Rafael Gava e Zé Rafael; Wellisson e Bruno Batata.

Um alento depois de um turbilhão. O time, até então vice-líder do Estadual, perdeu seis pontos na semana passada pela escalação irregular do volante Germano na estreia com o PSTC. A situação se agravou após a derrota para o então lanterna Rio Branco, no último sábado (20). Para esta quarta-feira (24), então, diante do líder e invicto Paraná, o LEC aposta na força do retorno para casa. Artilheiro do LEC no Estadual, com três gols, Bruno Batata lembra da pressão que sentiu quando jogou no VGD pelo J. Malucelli. “A lembrança é da torcida, que fica muito próxima. Realmente, o adversário sente quando vem jogar aqui. Vamos ter um grande teste e tenho certeza de que vamos sentir a força do nosso torcedor”, afirmou.

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O retorno para a “Boca do Tubarão”, como é conhecido, marca a retomada de um estádio histórico, que não recebia um jogo oficial da equipe principal do LEC há 2.525 dias, desde 25 de março de 2009, uma data que os torcedores preferem esquecer. Na ocasião, o Tubarão venceu o Coritiba por 2 a 1, mas, devido a uma combinação de resultados, acabou sendo rebaixado para a Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense. Na sequência, o VGD foi interditado por problemas de infiltração na marquise do setor coberto.

Depois do “fundo do poço”, tanto o time, quanto o estádio renasceram. Desde que a SM Sports assumiu o futebol do LEC, no fim de 2010, o Tubarão voltou à elite estadual, venceu o Paranaense após 22 anos e retornou para a Série B do Campeonato Brasileiro. Já o VGD passou a ser gerido pelo clube em 2013, após a Prefeitura de Londrina conceder o uso do local por pelo menos dez anos.

Desde então, foi iniciada uma grande reforma, com o objetivo de tornar o estádio um polo formador de atletas em várias modalidades, além de ser uma sede para projetos sociais. Segundo o presidente do Londrina, Felipe Prochet, foram investidos cerca de R$ 500 mil na reforma, que incluiu a recuperação da marquise do setor coberto, reparos nos vestiários e nos banheiros, colocação de um novo gramado, entre outros trabalhos, que também contaram com a mão de obra de torcedores voluntários, organizados em mutirões.

“Este jogo será uma grande satisfação. Quem acompanha o VGD há três anos, sabe o sofrimento que foi deixar o estádio em ordem. Não medimos esforços para que o torcedor pudesse acompanhar novamente o time em sua casa. É uma vitória grande”, afirma Prochet, lembrando que o espaço destinado ao setor administrativo do clube já está concluído. O estádio ainda deve receber um museu e a loja do LEC até o mês que vem.

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Emoção

Inaugurado em 1956, o VGD já recebeu grandes nomes do futebol, como Pelé e Garrincha. Uma das lembranças mais marcantes para os londrinenses é a do Paranaense de 1962, que só terminou no ano seguinte.

Naquela vez que o time quase acabou, fiquei sozinho no estádio. Mas a história do Londrina estava aqui, não podia abandonar. Quando as escolinhas de base começaram a funcionar no VGD, já foi uma grande emoção. Ver a torcida e o time principal novamente aqui vai ser demais. Já estou até tomando uns calmantes

Edson Henrique dos Santos, administrador do VGD e funcionário do Londrina

Ainda com o nome de Londrina Futebol e Regatas, o time disputou a fase final ao lado de Coritiba e Cambaraense. No VGD, venceu o Coxa por 4 a 2, abrindo vantagem para a partida decisiva na capital, onde repetiu o placar, conquistando o primeiro título estadual de forma antecipada.

Ver o Londrina novamente no VGD será uma grande emoção para os torcedores, sobretudo para o administrador do local. Funcionário do LEC há três décadas, Edson Henrique dos Santos não acreditava que veria novamente um jogo oficial no estádio que zela há tanto tempo. Um prêmio pra quem não quis deixar o clube, mesmo no momento de maior crise.

“Naquela vez que o time quase acabou, fiquei sozinho aqui no estádio. Mas a história do Londrina estava aqui, não podia abandonar. Quando as escolinhas de base começaram a funcionar no VGD, já foi uma grande emoção. Agora, ver a torcida e o time principal novamente aqui vai ser demais. Já estou até tomando uns calmantes”, brincou.

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TABELA: Confira a classificação do Paranaense

Capacidade reduzida

A capacidade do VGD é de aproximadamente 10 mil pessoas. No entanto, atendendo pedido dos órgãos de segurança pública, serão liberadas as entradas de apenas 5 mil pessoas para o jogo com o Paraná. Segundo Prochet, se tudo ocorrer bem, a intenção é ampliar essa capacidade para os próximos jogos, já que o Estádio do Café só deve ser liberado em maio, para a disputa da Série B.

Apesar do público limitado, os torcedores planejam uma grande festa para o retorno ao VGD. Pelas redes sociais, a Falange Azul está organizando uma série de ações, entre elas, o “paredão de fumaça” e o “corredor alviceleste”, para recepcionar os jogadores no estádio. Assim como na Série C, a torcida organizada também fez uma campanha para que os fãs baixassem o aplicativo Strobo LED, que simula a luz dos sinalizadores pelos celulares.