
O Atletiba de torcida única em nada serviu para evitar os confrontos de atleticanos e coxas-brancas. Como previsto por especialistas em segurança entrevistados pela Gazeta do Povo às vésperas do duelo, não foi a proibição do comparecimento da torcida adversária que aliviou a violência fora da Vila Capanema. Como de costume, por vários pontos de Curitiba houve confusão entre os rivais.
Mesmo com 450 policiais militares espalhados no entorno do estádio, logo após o clássico terminar, e há poucas quadras do Durival Britto, ocorreu a primeira briga. De acordo com a PM, na Praça Eufrásio Correia, em frente ao shopping Estação, torcedores do Coritiba esperavam de tocaia a passagem dos atleticanos.
Além do confronto, um ônibus biarticulado foi depredado e cinco torcedores do Alviverde, menores de idade, foram apreendidos. A confusão só acabou após a chegada de 20 viaturas, entre PM e Guarda Municipal. Um passageiro, alheio ao futebol, foi atingido na cabeça tendo ferimentos leves. "Os torcedores estavam esperando os rivais passarem", comentou o inspetor Moreira, da Guarda Municipal.
O episódio mais grave foi o esfaqueamento de um homem, por volta das 22 horas, dentro do ônibus da linha Santa Cândida/Capão Raso, próximo à Praça do Japão. Segundo a PM, pela denúncia, o crime teria sido cometido por um homem que vestia a camisa do Atlético.
Uma hora depois, na República Argentina, novo confronto entre torcedores. No terminal do Cabral, um início de confusão só acabou com a chegada de viaturas. Nos bairros CIC e Água Verde na Rua Brasílio Itiberê, próximo à sede da Fanáticos e da Arena da Baixada , também foram registrados problemas. Em Pinhais, um menino de 14 anos ficou ferido após uma briga entre torcidas.
Os ânimos já estavam exaltados antes mesmo do clássico. Após o Atletiba de torcida única receber críticas generalizadas, o presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, voltou a defender a sua ideia via Twitter. Horas antes do jogo, publicou na rede social. "Defendem o indefensável, garantir mil lugares para a torcida organizada contrária que sozinha usa os 10% é coisa de gente que nada conhece!". O mandatário atleticano escreveu nove mensagens sobre o tema e chegou a discutir com o vereador Algaci Túlio (PMDB).
"Lamentavelmente é triste ouvir a Polícia [Militar] decretar a ineficiência num jogo de 10 mil torcedores", disse o político.
Além de ineficaz em relação à segurança fora do estádio, o jogo eletrizante não empolgou as arquibancadas. Sem o torcedor alviverde presente, os atleticanos tiveram comportamento moderado, mais preocupado em reclamar com seu treinador, jogadores e árbitro. Parecia o duelo contra uma agremiação do interior que estivesse jogando na capital, sem torcida. Sem apelo algum.
Para engrossar a noite de ocorrências, uma torcedora que tentava assistir à partida de cima do viaduto do Capanema caiu e foi levada ao hospital. A PM promete divulgar hoje um balanço geral da operação.




