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POLÍTICA

Com apenas quatro parlamentares presentes, relatório da MP do futebol é aprovada

Texto de Lei que exige contrapartida dos clubes na renegociação de dívidas vai ao plenário da Câmara e, em seguida, ao Senado. Norma precisa passar pelo crivo das duas Casas até 17 de julho, data em que perde a validade

Senador Sérgio Petecão (PSC-AC) foi rápido para barrar a bancada da bola. | Geraldo Magela
Senador Sérgio Petecão (PSC-AC) foi rápido para barrar a bancada da bola. (Foto: Geraldo Magela)

O relatório da MP do Futebol (671/2015) foi aprovado nesta quinta-feira (25) em sessão relâmpago da comissão mista responsável pela análise do tema. A reunião foi das mais polêmicas. O presidente da sessão, senador Sérgio Petecão (PSC-AC), abriu a votação com apenas quatro parlamentares presentes e, em poucos minutos, aprovou a íntegra do relatório do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ).

Parlamentares ligados à CBF, que pretendiam apresentar destaques (mecanismo usado para retirar trechos do texto por votação), chegaram depois do encerramento da sessão e se revoltaram. Agora, o texto de Lei vai ao plenário da Câmara e, em seguida, ao Senado. Ele precisa passar pelo crivo das duas Casas até 17 de julho, data em que perde a validade.

Após ter a votação adiada nessa quarta-feira (24) por causa de sessão da Câmara, a reunião da comissão mista foi reaberta às 9 h, com chamada final com 15 minutos de atraso. Compareceram apenas, além do presidente Petecão e o relator Otávio Leite, o senador Antônio Anastasia e o deputado paranaense Evandro Roman.

Ultrapassado o tempo-limite, Petecão abriu a sessão e convocou os deputados Marcelo Aro (PHS-MG), Vicente Cândido (PT-SP) e Jovair Arantes (PTB-GO) a dar início aos debates sobre os destaques apresentados por eles. Nenhum dos três – membros da chamada bancada da bola – estava no plenário. Assim, Petecão declarou aprovado o relatório de Otávio Leite.

“Durante toda a tramitação da MP nós dialogamos. Abrir uma reunião e votar tudo em menos de um minuto? Nossa reunião nunca começou no horário. Isso não foi justo. É regimental, mas não foi justo. A partir de agora, vamos ter um grande imbróglio em relação a este projeto”, protestou o deputado Marcelo Aro.

O deputado Vicente Cândido também não gostou nada da rápida votação: “Essa rapidez neste momento não constrói relações. O bom senso recomenda que uma matéria dessa natureza não pode ser votada com o plenário vazio. O relator poderia ter esperado um pouco mais para fazer o debate. Não dá para votar com a casa vazia numa situação dessa”.

Petecão justificou. “Ontem [quarta-feira] ficamos aqui o tempo necessário para discussão. O relator acatou os destaques. Hoje [quinta], esperamos 15 minutos”.

A MP do Futebol trata do refinanciamento das dívidas fiscais e trabalhistas dos clubes de futebol profissional. A medida provisória cria o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), um instrumento de refinanciamento que exige dos clubes que aderirem o cumprimento de critérios de responsabilidade fiscal e de gestão interna.

O que muda com a nova lei

Refinanciamento

Clubes não terão de pagar uma entrada para refinanciar suas dívidas. As primeiras 36 prestações terão parcelas entre 2% e 6% da receita. O resto deverá ser quitado em 120 ou 240 meses

Contrapartidas

- Publicar demonstrações contábeis auditadas por empresa independente

- Manter em dia pagamentos tributários, previdenciários, trabalhistas, contratuais e de direito de imagem

- Limitar em 70% da receita bruta os gastos com salários do departamento profissional

- Manter investimento mínimo nas categorias de base e no futebol feminino

- Não fazer antecipação de receitas futuras

- Zerar o déficit das contas até 2021

Gestão temerária

Dirigentes de clubes podem ser responsabilizados judicialmente por má gestão e até perder os próprios bens

Fiscalização

Um órgão do Ministério do Esporte será criado para fiscalizar o cumprimento da lei e aplicar punições

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