
Campanhas fracas, times reservas e pouco apelo transformam o Atletiba de hoje em um clássico irreconhecível. Disputado em casa alheia, com os sempre favoritos Atlético e Coritiba na parte de baixo da tabela do Paranaense e sem empolgar a torcida, o confronto desta noite, às 19h30, na Vila Capanema, concorre para ser relegado na história. Ou pior, lembrado pelo esvaziamento. Caberá às jovens promessas dos clubes devolver ao maior duelo do estado o peso que merece.
"Não devia nem ser chamado de Atletiba. Esse jogo não está à altura, grandeza e tradição do clássico", definiu o jornalista e colunista da Gazeta do Povo, Carneiro Neto, autor do livro Atletiba, A Paixão das Multidões. "Claro que já houve jogos com um time menos forte. Mas esse será o mais fraco da história. Dois times reservas, com um início ruim de campeonato. Se o time titular do Coxa brigou para não cair, imagina o reserva? E a equipe do Atlético enfraqueceu muito se comparada ao sub-23 do ano passado", completou.
A utilização da equipe B feita na última temporada, reprisada pelo Furacão e adotada também pelo rival do Alto da Glória ainda não deu certo. A participação na Libertadores reforçou o desprezo rubro-negro pela disputa caseira onde figura na 11.ª e penúltima colocação. Para o Alviverde, apenas sexto na classificação, a pré-temporada estendida se encerra hoje e marca a despedida dos reservas.
Diante de tanta apatia, nada como um Atlético e Coritiba para recolocar os times no status que merecem e marcar a carreira dos novatos. "O Atletiba é um jogo único, disputei vários na base, mas tudo é diferente entre os profissionais. É uma oportunidade para mostrar não só para ele [o técnico Dado Cavalcanti], como para a torcida que dá para estar no time principal", afirmou Ícaro, há dez anos no Coritiba, às vésperas da tão esperada iniciação no clássico profissional. "É um jogo diferente. Temos de ter isto em mente: clássico é um jogo diferente", emendou o volante atleticano Hernani, se apegando ao clichê que acompanha o encontro entre os arquirrivais.
Hors concours dos exemplos históricos atleticanos, o jovem Joel marcou o primeiro gol contra o arquirrival com 19 anos, em 1981, foi decisivo no título de 1983, com cinco gols em seis clássicos e guarda nos arquivos pessoais as lembranças de 12 gols contra "os Coxas".
Em 1972, coube ao garoto Paulo Roberto conquistar os rubro-negros ao substituir Ademir Rodrigues e garantir a vitória no clássico superando o paredão alviverde conhecido como Jairo. Bem antes, pelo torneio João Todeschini, o jovem Erádio gravou seu nome na galeria do clássico ao marcar nada menos do que quatro gols no movimentado 4 a 3.
No lado alviverde, encarar o Atlético como rito de passagem é passo importante para fincar espaço entre os titulares. Prata da casa, o volante Hélcio estreou no time profissional no Atletiba do dia 13/8/1989. Entrou durante a partida e ajudou a garantir o empate que levaria o Coxa à decisão do Paranaense daquele ano. Foi titular absoluto de 1990 até 1993. No seu terceiro jogo pelo Coritiba, no Estadual de 1994, Claudiomiro marcou um gol, foi considerado o melhor em campo e nunca mais deixou o time principal. Jogou no Coritiba até 1998.
Das arquibancadas hoje, Alex deverá lembrar mais uma vez do primeiro gol contra o Furacão, no acesso de 1995, quando se tornou o mais jovem atleta alviverde a balançar a rede do rival (posto hoje ocupado por Geraldo). Ainda intocado pelo glamour do clássico, o garoto de 17 anos voltou para Colombo de ônibus naquele dia, sem saber que começava a escrever a história entre os maiores ídolos alviverdes.
Colaborou: Grupo Os Helenicos.



