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Paranaense

Confronto de estilo no Paratiba dos treinadores

Desconhecidos das torcidas, o coxa-branca Zé Carlos é o treinador “boleirão”, enquanto o tricolor Milton Mendes o “estudioso”

O Paratiba 96 apresenta técnicos de perfis opostos: Zé Carlos, pelo Coritiba, e Milton Mendes, do Paraná. Ainda pouco conhecidos pelas duas torcidas, seguiram rumos diferentes na carreira e na maneira de trabalhar.

Zé Carlos, 57 anos, faz o estilo "boleirão". Ex-ata­­cante com passagens por Colorado, Pinheiros, Operário e Para­­navaí, quando pendurou as chuteiras foi ser técnico até no Sanh Chi Colin, da China, no começo da década passada.

Ao longo do tempo, adquiriu vasta experiência nas categorias de base, lidando com os garotos. Trabalhou por sete anos no Paraná e nos últimos seis no Coxa. Tanto com os jovens quanto com os adultos, preza pelo trabalho de campo e é pouco adepto a inovações tecnológicas.

"Sou mesmo mais tradicionalista, gosto de conversar olhos nos olhos. Trabalho muito nos treinamentos, paro, corrijo, procuro fazer dentro das quatro linhas. Ali que eu gosto de trabalhar, ali que eu trabalhei a minha vida inteira", explica o mineiro José Carlos Lelis.

Do outro lado, Milton Men­­des, 48 anos, também co­­meçou como jogador – foi formado nas categorias de base do Vasco e atuou em São Januário de 1984 a 1987. Defendeu o Criciúma também e depois atuou em Portugal, onde fez carreira como treinador, além do Catar. No Brasil, teve uma rápida passagem pelo Bonsucesso-RJ, em 2006.

No caminho, acumulou experiência e apreço por inovações. Faz o tipo estudioso, acadêmico. Apesar disso, não gosta de ser chamado de técnico de "estilo europeu". "Essa história de Europa, sou brasileiro! Estudei fora, fiz a minha escola lá, trouxe ideias de lá para enriquecer o nosso futebol. Mas sou catarinense", protesta o treinador paranista.

No campo tático, as diferenças também são marcantes. Zé Carlos prefere um time ofensivo. Mendes, por sua vez, gosta de marcação forte e explorar os contra-ataques.

Aperar dos procedimentos distintos, ambos apreciam trabalhar de forma individual com os jogadores. Outro ponto que une Zé Carlos e Milton Mendes é a importância do Paratiba desta tarde – trata-se do jogo mais importante da carreira do coxa-branca e da passagem do paranista pela terra natal.

Fator que ambos, naturalmente, preferem evitar. Ado­­tam o discurso manjado de que toda partida é relevante. O comandante alviverde, entretanto, admite que o clássico mexe com todos os envolvidos.

"Eu procuro o equilíbrio da semana para trabalhar como se fosse o jogo comum. Mas clássico a gente sabe que mexe com o torcedor e com a cidade. As coisas fluem um pouco diferente. Mas procuro passar tranquilidade para os meninos. Já tenho cabelo branco, passar o nervosismo não vai dar certo", resume Zé Carlos.

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