O Coritiba promete realizar uma investigação, por meio das imagens do jogo com o São Paulo, para identificar torcedores que agrediram verbalmente e quase fisicamente uma menina de 13 anos e seu pai na arquibancada do Couto Pereira. O tumulto ocorreu no domingo, quando a garota pediu a camisa de Lucas, jogador do time adversário, e foi atendida pelo atleta. Os insultos persistiram até mesmo depois que o uniforme foi devolvido ao são-paulino.
Ontem, o presidente do Coxa, Vilson Ribeiro de Andrade, revelou que o clube pretende reagir à violência desproporcional. "Vamos tentar identificar. Se forem sócios, vamos tomar as providências, que vão desde advertência até uma suspensão. Apesar do pai da criança e o Lucas estarem errados, tem de haver o respeito pelos outros", afirmou o dirigente.
Andrade destacou que, no momento do incidente, a torcida estava extremamente abalada pelo empate nos minutos finais e chamou Lucas de "irresponsável" por atirar a sua camisa em direção à fã, que estava no lado alviverde das arquibancadas. Em entrevista após a partida, o atacante do São Paulo garantiu que não pensava que iria gerar tanto transtorno com a atitude. "Eu fui ingênuo, joguei a camisa porque ela pediu, mas não sabia que os outros torcedores poderiam se irritar com aquilo", disse o jogador.
O presidente do Coritiba ainda criticou o pai da jovem, que não poderia permitir que ela se expusesse daquela forma, e argumentou que a reação ocorrida no Couto Pereira no domingo seria igual com qualquer torcida, em qualquer estádio. O que não faz com que a atitude seja admissível.
"Temos de ter civilidade, não aceito isso. Em minha opinião, faltou bom senso de todos", criticou. "O índice de incompreensão das pessoas é um absurdo. Tem de tentar compreender a situação. [A atitude da menina] não era uma afronta de uma torcida para com a outra", argumentou Andrade.
Na ocasião, a jovem, que se chamaria Millena e seria de Rio Negro-PR, teve de ser escoltada por seguranças, junto com o pai, para fora do estádio. Após a confusão, ela reencontrou o ídolo e conseguiu tirar uma foto. Porém, nas redes sociais, continuou sendo hostilizada por torcedores do Coritiba e acabou apagando seu perfil no Twitter.
Em entrevista ao site UOL, o presidente da Império Alviverde, Reimackler Graboski, preferiu lançar culpa a apenas um lado da história. "Pode colocar a culpa total no pai e na garotinha. Ela tem 13 anos e sabe o que acontece em estádio, quando se mexe com a postura e paixão de torcedor que tem inteligência. Se existe divisão de torcida, ela deveria estar do outro lado", reivindicou.



