
Para fugir da degola nas três rodadas derradeiras do Brasileiro, o Coritiba apostou em um fato novíssimo. Para o lugar do técnico Péricles Chamusca, demitido ontem à tarde, o clube escolheu Tcheco, um estreante na função.
"Não poderíamos esperar sentados e tomamos uma atitude. Optamos pela mudança para criar um fato novo", resumiu o presidente Vilson Ribeiro de Andrade, recorrendo ao velho clichê dos clubes desesperados na tabela.
Contratado por 47 dias, Chamusca dirigiu a equipe em 11 confrontos, com três vitórias, um empate e sete derrotas aproveitamento de 30,3%. "Lamento não ter conseguido. Gostaria de continuar nessa luta, mas aceito a decisão", declarou o ex-treinador, ao site oficial do clube.
Mudança emergencial em um cenário delicado. De líder por três rodadas e postulante à Libertadores no primeiro turno, o Coxa entrou ontem pela primeira vez na ZR, na 17.ª colocação, com 41 pontos no sábado, foi batido pelo Criciúma, concorrente direto, por 2 a 1. A marca para afastar a Segundona é 47 pontos.
E para escapar, segundo Andrade, vale a superação: "Em três jogos o que importa é ter liderança e o grupo aceitar. Ninguém muda nada, não vai mudar conceito tático. E o Tcheco viveu o campo, tem personalidade e é respeitado". Por onde jogou, o curitibano foi capitão, incluindo as duas passagens pelo Coxa.
Com 37 anos, o ex-meia fará diante do Internacional, no próximo domingo, em Caxias do Sul, a sua primeira partida à beira do gramado depois será a vez de pegar o Botafogo (casa) e São Paulo (fora). Contará com o suporte de outros profissionais do clube, como o também auxiliar Marcelo Serrano.
Experiência inédita para quem pendurou as chuteiras em junho do ano passado. Logo após o anúncio da aposentadoria, o ex-meia emendou outra carreira no futebol. Estagiou para ser gerente, mas desistiu de enveredar pela atividade burocrática de registros e contratações.
O lado jogador pesou e Tcheco pôs a prancheta debaixo do braço e passou a acompanhar Marquinhos Santos, mantendo a proximidade com a bola e o vestiário. Ao término do Nacional de 2012, o Alviverde fechou na 13.ª colocação.
Ainda no encerramento da temporada, a diretoria definiu que o clube utilizaria uma formação sub-23 na largada do Paranaense e Tcheco assumiria o time. Entretanto, a estreia como comandante fora das quatro linhas acabou frustrada. Marquinhos seguiu normalmente.
Desde então, duas outras oportunidades. Com a dispensa de Marquinhos, em setembro, Marcelo Serrano foi o técnico no revés para o Náutico, por 3 a 0. Mais tarde, o Coxa mandou um conjunto reserva para o compromisso de volta com o Itagüí, na Colômbia, pela Sul-Americana, e convocou para a missão internacional João Marcelo, auxiliar de Chamusca.
Enfim, a hora de provar o seu valor é agora. "O Tcheco é interino e vai ter a chance de mostrar o seu trabalho. E vamos estudar com calma as possibilidades", finaliza Andrade. Entre os cotados pelo Coritiba, estaria Gilson Kleina, atual técnico do Palmeiras.
A Gazeta do Povo tentou contato com o Tcheco, mas ele não atendeu as ligações até o fechamento desta edição.



