
Um proprietário de restaurante do distrito de Lerroville, em Londrina, afirma ter sido vítima de um arrastão da torcida organizada Império Alviverde, do Coritiba, no domingo, depois da derrota alviverde por 2 a 0 para o Londrina, no Estádio do Café. O prejuízo com alimentos e bebidas consumidos que não foram pagos foi de aproximadamente R$ 3 mil.
Durante a partida, a Império já havia se envolvido em uma confusão com a torcida do Londrina no Estádio do Café. A facção chegou atrasada à partida, aos 15 minutos do segundo tempo, por problemas mecânicos no ônibus. Assim que entrou no Café, parte da torcida alviverde entrou em confronto com a do Tubarão, forçando a PM a intervir com balas de borracha.
Segundo Marcelo Monteiro de Oliveira, filho do dono do restaurante, assim que os três ônibus com os torcedores chegaram, por volta das 20 horas, começou a confusão. Mais de 100 pessoas entraram no estabelecimento, que contava com quatro atendentes. Os primeiros a fazerem os pedidos chegaram a pagar pelos produtos. Mas pouco tempo depois começou a desordem.
Imagens das câmeras de segurança mostram integrantes da Império pegando produtos de dentro dos refrigeradores e das estufas, ignorando a presença dos atendentes. "Meu pai estava servindo e minha mãe estava no caixa. Um dos clientes percebeu que os torcedores estavam pegando de tudo e saindo sem pagar, de caixas de sorvete a sacos de gelo e garrafões de vinho. Foi quando eles perceberam o que estava acontecendo e chamaram a polícia", descreveu.
Além das bebidas, Oliveira disse que os torcedores se serviam de marmitex e corriam para dentro dos ônibus. "Vamos registrar boletim de ocorrência nesta terça-feira. É humilhante, não tenho nem palavras para descrever como estamos nos sentindo", lamentou.
O outro lado
O presidente da Império Alviverde, Reimackler Graboski, acompanhava os torcedores no episódio. Ele confirma que houve furtos no estabelecimento. "Não vou ser hipócrita e dizer que não tenho conhecimento do ocorrido. Estava lá e vi uma minoria, um bando de moleques pegando os produtos e saindo sem pagar", revelou.
Assim que percebeu o que estava acontecendo, ele disse ter tomado providências imediatas. "Eu sugeri que os donos do restaurante chamassem a polícia para averiguar a situação, e paguei por tudo o que conseguimos identificar como furtado", disse. Os torcedores que foram pegos saindo sem pagar foram levados de volta ao restaurante para quitar a dívida, garantiu o presidente da torcida, que é um dos indiciados na invasão do gramado do Couto Pereira em 2009.
As contas de Graboski, porém, não batem com a dos proprietários. Segundo o presidente da Império, a conta dos produtos furtados ficou bem aquém dos R$ 3 mil contabilizados pelo restaurante. "Foram garrafões de vinho, sacos de gelo e algumas cervejas, paguei R$ 190 do meu próprio bolso como ressarcimento. O valor não chega nem perto desses R$ 3 mil que eles [os donos do restaurante] estão falando", declarou.
Sobre possíveis punições aos torcedores flagrados no furto, a expulsão dos quadros da Império Alviverde foi descartada, a princípio. "Não é um fato assim tão grave", classificou Graboski. "Eles vão ficar por uma semana em trabalho 'voluntário' junto a entidades parceiras da torcida. Depois disso, veremos o que pode ser feito. Mas garanto que haverá uma cobrança em cima de cada um dos integrantes", revelou.



