
O gol sofrido pelo Coritiba aos 45 minutos do segundo tempo, ontem, na derrota para o Corinthians, foi duplamente lamentado: primeiro porque o pênalti que resultou na vitória paulista não existiu; segundo, porque o revés no Pacaembu tirou o time do G4 depois de dez rodadas entre os quatro melhores do Brasileirão.
O empate com o Timão, que vinha sendo assegurado até os 42 minutos da segunda etapa, ainda seria o suficiente para o Coritiba, que entrou em campo desfigurado sem Alex e outros sete desfalques , se segurar no grupo do topo da tabela. Mas a marcação desastrosa do pênalti pelo árbitro Péricles Bassols Pegado Cortez foi decisiva.
No lance, Danilo invade a grande área com a marcação de Luccas Claro. No ombro a ombro entre os dois, forçado pelo corintiano, o árbitro assinalou a infração máxima. Na cobrança, o peruano Guerrero bateu rasteiro no canto direito de Vanderlei, para a fúria do elenco alviverde, que não poupou críticas ao trio.
"Lamentável. Contra o Corinthians no Pacaembu é assim. Trabalhamos para caramba, seguramos o resultado, mas aqui em São Paulo é assim. Desde o início do jogo ele [o árbitro], xinga a gente e acaricia o Corinthians", desabafou o volante Júnior Urso. "O Corinthians é bom", ironizou o meia Robinho. "Particularmente, acho que não foi pênalti. Mas não adianta falar da arbitragem. Ele não vai voltar atrás, vamos pensar no próximo jogo", resumiu Luccas Claro.
Em campo, o Coritiba fez frente ao Corinthians, mas faltou eficácia para abrir o placar. Apertou a saída de bola do Timão e apostou nos chutes de longa distância. A intenção era, no segundo tempo, jogar contra um adversário pressionado e apostar nos contra-ataques, explicou o lateral Victor Ferraz. Mas os atacantes Arthur, Bill e Julio César não conseguiram bater o goleiro Cássio. Do lado alvinegro, Emerson e Alexandre Pato foram igualmente ineficazes.
Na tabela, o Coritiba manteve-se com 24 pontos, sendo ultrapassado pelo próprio Timão, agora com 25 pontos, e pelo Atlético (nos gols marcados): está na 6.ª posição. A derrota de ontem reforçou a queda no rendimento do time: depois de se manter invicto nas dez primeiras rodadas, nos últimos cinco confrontos, acumulou três derrotas, um empate e uma vitória, com um aproveitamento de 26,6% (distante do início arrasador, em que somou 70% dos pontos disputados nos cinco primeiros jogos).
"Ia ser um grande resultado para a gente. Saímos do G4, mas mesmo com desfalques, mostramos que podemos fazer mais [no campeonato]", lamentou o volante Gil.
Diretoria fará protesto formal contra árbitro
A saída do campo após a derrota para o Corinthians foi conturbada. Os jogadores do Coritiba foram para cima do juiz, mas as reclamações não serão apenas verbais, assegura o presidente do clube, Vilson Ribeiro de Andrade, que pretende formalizar uma representação contra o árbitro Péricles Bassols Pegado Cortez. "É por essas e outras que estou saindo do futebol. Não tenho coragem de enfrentar gente que não tenha dignidade para apitar. A comissão de arbitragem é isenta e ela vai avaliar. Foram dois erros, o primeiro foi não expulsar o [Emerson] Sheik [por uma falta em Gil] e depois o pênalti", afirmou.
O dirigente destaca querer uma retratação do árbitro. "O erro é humano. Ele que reconheça o erro que cometeu. Achei que ele foi covarde, ficou com medo da torcida e da camisa do Corinthians". O auxiliar técnico do Coritiba, Tcheco, contou que Cortez garante ter certeza da marcação. "Fui cumprimentá-lo e ele disse: Fica tranquilo, eu vi um empurrão nas costas. De longe, é difícil ver o que aconteceu, temos de acreditar", falou.
Já o técnico Marquinhos Santos preferiu destacar o desempenho de seus jogadores. "Sinto orgulho. Com todas as adversidades, o time provou a força de um grupo. Por mais que tentem minar, o Coritiba vai se tornar cada vez mais forte."




