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Vanderlei Luxemburgo colou um esparadrapo na boca após o seu pronunciamento: única maneira de fazê-lo se calar. | Gilvan de Souza/FlaImagem
Vanderlei Luxemburgo colou um esparadrapo na boca após o seu pronunciamento: única maneira de fazê-lo se calar.| Foto: Gilvan de Souza/FlaImagem

Punido com dois jogos de suspensão por ter criticado a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), o técnico do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo, colou a boca com um esparadrapo nesta sexta(3), na sala de imprensa do clube. Luxemburgo se recusou a responder a perguntas dos jornalistas, mas fez um pronunciamento antes de protestar, em que destacou que sua liberdade de expressão foi infringida, já que não poderá ficar banco de reservas no clássico contra o Fluminense, neste domingo (5).

“Não vão me calar, meu movimento vai continuar, se quiserem me tirar do Campeonato, se quiserem me tirar do Carioca, que me tirem, se querem fazer isso de forma arbitrária e sem nenhum embasamento, que façam. Não vou me posicionar mais, mas não vão me calar. Só vão me calar quando colocar isso aqui”, afirmou antes de colocar a mordaça.

O efeito suspensivo, aprovado pelo STJD, foi revogado de forma definitiva na quinta-feira (2). O técnico do Flamengo foi punido após declarar que a imprensa deveria “dar porrada” na federação ao reclamar do regulamento do Estadual, que não permite a inscrição de mais de cinco jogadores das categorias de base.

Abaixo, a íntegra do depoimento do técnico:

“Seria até um direito meu, respeitando vocês, mas esse momento queria um pronunciamento das coisas que estão acontecendo, e é importante o meu posicionamento.

Em primeiro lugar, não é a primeira vez que acontece de eu ficar fora de um jogo, suspenso. Já aconteceu... e fui campeão. Não vejo isso como um problema da equipe, um prejuízo. Tenho um trabalho com o Deivid, com os jogadores, caso eu saia do jogo, esteja suspenso, os jogadores sabem das propostas, como deve ser o comportamento.

Quero comunicar também uma questão minha em conversa com o presidente: não vou ao jogo. Senti-me prejudicado e não tem por que estar num local que não posso assistir ao jogo. Como profissional não irei por não poder atuar. Isso está acordado com a diretoria.

Agora, como cidadão, em um momento importante do Brasil, onde tivemos uma eleição com debates ferrenhos de todos os lado, ideias, movimentos ruins de violência no país, onde confundiram processo democrático com violência e depois tivemos um movimento democrático pró e contra o governo.

Esse direito foi conquistado através de lutas para quebrar a ditadura, e o que o povo conquistou. Não pode, em 2015, um órgão importante do Rio, em uma situação importante do esporte, voltar a viver um momento de ditadura. Impossível acontecer. Começamos lá atrás com um movimento de rua e está na Constituição o direito de liberdade de ir e vir. Como cidadão, me senti violentado e agredido. Fiz muitas coisas pelas quais deveria ter sido punido, mas agora queria a melhora do futebol brasileiro. Tomaram uma derrota por 7 e estão buscando um caminho ainda. Quando me posicionei não foi em relação ao presidente, mas sim contra a Federação, que não quer dar chance aos jovens.

E o termo porrada não é com a mão. Só o procurador entendeu assim. Vejo constantemente isso na televisão, no nosso meio, e não foi tentativa de agredir ninguém. Acho isso complicado nesse momento. Como cidadão venho repudiar e continuo criticando o que tem de ser criticado. Então, continuarei com meus movimentos para meus filhos e netos terem um país melhor. Não vou me calar. Se quiserem me tirar do carioca, me tirem, que façam isso, mas não vou me calar.

Não irei me posicionar mais. Só vou falar isso depois que conseguir me livrar disso e tiver o direito à liberdade.”

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