
A campanha na Segundona do Paranaense até agora não mereceria o menor destaque. Teve até derrota por W.O. proposital. O Francisco Beltrão está atraindo atenções é pelos personagens que levou ao Sudoeste do estado: Paulo Miranda quer engrenar como treinador; Bruninho, retomar a carreira; e Tuta, adiar a aposentadoria.
Aos 40 anos, o ex-atacante de Atlético, Coritiba e outros 22 times, será apresentado amanhã. Vem para ajudar o amigo que, com a mesma idade, agora é técnico. Além do veterano parceiro, o ex-volante dos três grandes clubes da capital aposta no "exemplo de superação" que considera o meia de 24 anos atrapalhado por uma série de lesões após surgir como grande revelação paranista.
"Muitos diziam que o Bruninho estava acabado. Logo vai estar de volta em um clube grande", garante Paulo Miranda, mostrando o viés motivador comum a muitos treinadores. Sobre Tuta, diz que aceitou jogar a Segunda Divisão local por amizade mesmo.
Além de Paraná (92 a 96) Atlético (97 a 98) e Coritiba (2006), o atual técnico jogou por clubes como Vasco, Cruzeiro e o francês Bordeaux. Se aposentou após a experiência no Deportivo Anzoátegui, da Venezuela, em 2010.
Resolveu seguir a nova carreira após sugestão de Abel Braga hoje comandante do Internacional , há um ano, e depois de um curso nos Estados Unidos. Os primeiros passos foram alguns meses no Oeste (SC) e no Genus (RO).
"Ele é muito bom, atualizado, tem bagagem e bom conhecimento de tática. O time é que é meio fraco, mas se conseguirmos nos classificar para a segunda fase vamos reforçar mais", admite o presidente do clube, Antônio Jacir Gonçalves da Silva, o Kinkas.
A possibilidade de reforçar a equipe também é levantada por Paulo Miranda, incluindo nomes famosos. "O Tuta é meu amigo, dá para trazer estes caras", fala o treinador, fazendo referência ao jogador que será apresentado no amistoso de amanhã contra o catarinense Juventus. O técnico, que pretende estar em um time da Primeira Divisão estadual em 2015, também fala muito do meia Alex, de 23 anos, que estava na Guatemala e ainda não teve a situação regularizada para jogar. "Não sei como um clube grande não viu ele ainda."
Quem também tem recebido elogios é Bruninho. Após três cirurgias no joelho e dois anos parado, ainda não está 100% na forma física, mas virou exemplo na conversa do treinador com os outros atletas. O ex-paranista, que admite ter pensado em parar, diz ficar "sem palavras" diante dos comentários.
"O Paulo Miranda está me ajudando bastante, me dando confiança, o que é essencial. É muito gratificante saber que acreditam no meu trabalho", conta, animado com o recomeço, mas sabendo que a aventura no Sudoeste pode não durar muito. "Estamos com a cabeça na classificação, se não no final de agosto acaba para gente", resume.
Por enquanto o time segue sem ganhar: um empate e três derrotas. Entre elas, o W.O voluntário do dia 23 de julho. Sem um para-raios que permitisse a liberação do Estádio Anilado, em Francisco Beltrão, a partida com o Foz do Iguaçu foi transferida para Ponta Grossa, a 380 km. "Gastaríamos R$ 12 mil para ir. Como um W.O. é permitido pelo regulamento, resolvemos segurar este dinheiro para pagar os jogadores", explica Kinkas, que precisa pagar uma folha salarial de R$ 35 mil por mês.
Entre ida e volta, o Foz ficou 19 horas dentro de um ônibus, não jogou, mas levou os três pontos é o líder do campeonato, com 10. Uma situação inusitada para Paulo Miranda. "A primeira coisa que eu pensei é que estou aprendendo e tenho de passar por isso para depois dar valor", discursa.
Dos oito participantes da Segundona, seis se classificam para a próxima fase. Não há risco de rebaixamento, desde que não aconteça um segundo W.O., pois Colorado e São José desistiram da competição antes do início.



