
Morreu ontem o ex-jogador Marinho, aos 63 anos. Meia-cancha de futebol clássico, o curitibano foi ídolo no Colorado e no Pinheiros na Vila Guaíra liderou os times campeões estaduais em 1984 e 87. O ex-atleta lutava contra um câncer na coluna e será enterrado hoje, às 11 horas, no cemitério municipal do Boqueirão.
Marinho escreveu uma trajetória curiosa com a bola nos pés. Tornou-se profissional tardiamente, aos 22 anos, no Colorado. E quando decidiu pendurar as chuteiras, já beirando os 40, no Sport de Campo Mourão, prosseguiu em atividade no futebol amador de Curitiba.
Passou por diversos clubes da Suburbana curitibana e cansou de levantar taças: foram 14 títulos e diversos vice-campeonatos. Foi parar somente aos 47 anos, defendendo o Vila Fanny. A longevidade lhe valeu o apelido de "Interminável".
"Foi um craque, vivi ótimos momentos na companhia dele. Uma pena", diz Levir Culpi. O ex-zagueiro e técnico do Atlético-MG jogou com Marinho na seleção paranaense sub-20 e no Colorado.
"Certamente, um dos maiores com quem tive o prazer de jogar. Uma habilidade incrível, ótima visão de jogo e um grande capitão", reforça Dionísio Filho, hoje comentarista da rádio Banda B e ex-lateral do Pinheiros.
Dionísio cita uma das características que frearam a carreira de Marinho. "Era uma pessoa muito introvertida. Acredito que por causa disso não tenha explodido no cenário nacional", diz.
O destaque fora das fronteiras do Paraná ocorreu no Operário-MS, terceiro colocado do Campeonato Brasileiro de 1977. Mais tarde, em 1979, disputou a Libertadores da América vestindo a camisa do Guarani campeão nacional do ano anterior , ao lado de Zenon e Careca.
Os últimos anos de vida, entretanto, foram difíceis. Em dificuldades financeiras, o ex-jogador contou com a ajuda de amigos. Marinho quase ficou cego e passou por dois transplantes de córnea.
Colega de Colorado, o ex-lateral-direito Chiquito foi um dos que o ajudaram a sobreviver. "Fizemos o que foi possível, contribuindo com cestas básicas, outras coisas. Infelizmente, o sofrimento era grande", aponta o hoje empresário de atletas.
Chiquito aproveita o momento de luto para fazer uma cobrança: "No velório do Washington [ex-jogador do Atlético, que morreu em maio deste ano] a Federação Paranaense de Futebol não mandou nem uma coroa de flores. O Sindicato dos Atletas também poderia atuar mais".




