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Copa Nordeste

Nordestão busca consolidar fama de indispensável

Com nível técnico maior e mais visibilidade, competição disputada por 16 times da região só perde em público para o Paulistão

Ricardinho, técnico do Ceará: time está na semifinal da Copa Nordeste | Igor de Mello/O Povo
Ricardinho, técnico do Ceará: time está na semifinal da Copa Nordeste (Foto: Igor de Mello/O Povo)

Vivendo o seu momento deci­­­sivo, a Copa do Nordeste tem sido a sensação do início de temporada do futebol no Brasil. Reunindo 16 clubes de sete estados, a competição é considerada um sucesso em todos os aspectos.

Boa parte do êxito nordestino vem – e virá ainda – das arquibancadas. Na comparação com os principais regionais do país, a Copa perde em média de público na fase classificatória apenas para o Paulista, a mais forte e rica de todas as disputas: 6.853 torcedores contra 6.409.

Aparece na frente do Mi­neiro (que teve mais de 52 mil pessoas no clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro), recebe mais do que o dobro de torcedores do Paranaense e do Carioca e o quádruplo do Gaúcho. E poderia ir além. Com o comparecimento dos jogos de quartas e semifinal, a Copa do Nordeste alcança média geral de 12 mil pessoas nos estádios.

"Nós tivemos uma ótima presença dos torcedores, bem melhor do que se fosse o Estadual. Só nisso já foi mais vantajoso para todo mundo", afirma Luciano Bivar, presidente do Sport, clube que acabou desclassificado nas quartas para o Campinense-PB.

Do ponto de vista financeiro, deixar os estaduais de lado – a maior parte dos participantes entra somente nas fases finais – também tem valido a pena. "Com partidas interessantes e mais público, nós conseguimos melhores parceiros comerciais. E ainda é um começo, pode crescer bastante", diz Evandro Leitão, presidente do semifinalista Ceará.

Amanhã, o Vozão decide em casa uma vaga na final com o ASA-AL – o primeiro jogo foi 3 a 3. Na outra semi, o Fortaleza sai para enfrentar o Campinense, depois de vencer por 2 a 1 na ida.

As vantagens também englobam o gramado. Com os clubes grandes da região se enfrentando já nos primeiros meses da temporada é possível avaliar melhor o elenco, de olho nas competições nacionais. "É ótimo ter a chance de enfrentar times de Série A, de um nível técnico maior. Sem contar a rivalidade entre os estados aqui do Nordeste. Podemos ter um parâmetro melhor", analisa Ricardinho, ex-jogador e técnico do Paraná, hoje no comando do Ceará.

Outro conhecido do futebol paranaense, Caio Júnior, treinador do Vitória, faz apenas um reparo. "A ideia é ótima. Mas faltou sensibilidade na fórmula deste ano, o ideal seria por pontos corridos. O sistema adotado impossibilitou a disputa de mais clássicos", declarou ele, também ex-técnico e atleta do Tricolor. O desafio agora é manter o padrão para as próximas edições. Desde a sua primeira disputa, em 1976, a Copa do Nordeste sofre com a inconstância. Deixou de ocorrer diversas vezes, até ressurgir no ano passado, com apoio da CBF.

"É o que esperamos daqui para frente, consolidar a competição. Certamente será um ganho para os times do Nordeste", fecha Bivar.

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