Carlos Werner: investimento de R$ 4,7 milhões no clube em 2015. | Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
Carlos Werner: investimento de R$ 4,7 milhões no clube em 2015.| Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo

Principal investidor do grupo Paranistas do Bem, que assumiu o Paraná em março deste ano, o empresário Carlos Werner defende a venda da sede social da Kennedy como uma das saídas para a crise financeira do clube. Ele ainda garante que diminuir a atuação no clube em 2016 e traça um raio-X das dívidas tricolores. Confira a entrevista.

Você foi o principal investidor do Paraná em 2015. Em caso de vitória da chapa Reconstrução Tricolor, do candidato Leonardo Oliveira, que tem o seu apoio, como fica sua atuação no clube em 2016?

Ano que vem já marquei meus tratamentos médicos, vou morar em São Paulo e vir para Curitiba duas vezes por semana para ver meus filhos. Tenho nomes para indicar e vou continuar dando apoio. Mas vou deixar de ser investidor e deixar que trabalhem sozinhos, pois estão muito mais preparados do que eu. Vou patrocinar o trabalho do Leonardo [Oliveira], talvez com patrocínio de camisa, porque quero ajudar. Mas aí saio da situação de investidor e passo a exercer a função que posso, como patrocinador.

Como ficaria a gestão do clube em 2016 sem o aporte financeiro que você vem dando?

O Paraná tem de ser gerido por pessoas com experiência de gestão não apenas no futebol, mas administrativa. Aí o clube tem de contratar seus gestores, seus especialistas para cada área. Apostar que temos a cota de televisão do ano que vem. Politicamente, essa cota ainda pode melhorar. Fora esse valor, creio que possam buscar investidores como eu e o Luiz Felipe Rauen, que trabalha forte no CT Racco, além de outros. O Paraná está no caminho certo. A saída é pelo futebol, atingindo a Série A. Os próximos três anos de trabalho, caso o Leonardo vença, serão um de trabalho muito intenso e dois de bons investimentos.

Quando o Paranistas do Bem assumiu o clube em março deste ano, você cogitou um aporte financeiro de R$ 4 milhões a R$ 6 milhões. Quanto desse dinheiro você já investiu e qual o prazo para que o clube devolva o empréstimo?

O ressarcimento, sem juros, é até dezembro de 2017. Então, não pretendo buscar a verba em 2016. Até agora foram investidos R$ 4,7 milhões somente no futebol. Mas tivemos investimentos também, assim que assumimos, no setor social durante dois meses, para que não ficasse tão distante o social do futebol. Mas hoje faltam verbas, não tem como alimentar todas as áreas. A base, no entanto, segue alimentada em dia.

Dívidas trabalhistas ameaçam de interdição sede social do Paraná

Leia a matéria completa

Qual a sua opinião sobre o futuro da sede social da Kennedy?

Não tenho dúvida de que a venda é uma das saídas, desde que não estivesse nos poderes do Conselho Diretor, que passasse por uma assembleia geral. É preciso ter um projeto de gastos. Estamos em um momento de economia retraída no país. Fazendo a venda do patrimônio você pagaria com alguns descontos muitas dívidas que temos hoje em mãos e ainda sobraria um valor grande para investir. Não tenho dúvida de que a venda da sede é uma solução. Mas não pode ser a única.

Muitos torcedores enxergam a venda patrimonial como um retrocesso.

É um patrimônio e patrimônio ninguém quer vender. Nosso risco hoje não é de deixar de vender a sede ou não. É que, se ela for a leilão, você não tem mais defesa e será vendida por 30% do valor dela. Eu creio que seria uma saída do Paraná hoje fazer um grande investimento. Fazer a venda e não o arrendamento. Temos o salão social alugado dentro do patrimônio, ocupando cerca de 30% do território e que não arrecada 5% do que o Paraná precisa para se manter.

Quanto o Paraná precisa para desafogar imediatamente a situação financeira?

Para quitar as dívidas trabalhistas são R$ 15 milhões. Mais R$ 5 milhões de dívidas cíveis e ainda a situação tributária, que demandaria mais uns R$ 30 milhões.

Os candidatos divergiram sobre a adesão ao Profut (projeto de refinanciamento de dívidas dos clubes). Qual a sua opinião?

O Profut é um grande negócio, assim como é o Refis para administradores de empresas. Mas apenas quando o administrador tem condições de quitar os compromissos que vai assumir quando entrar no programa. Hoje, o Paraná tem uma arrecadação de cerca de 40% do que precisa. Um dos itens que o Profut exige é que você possa pagar seus custos e não atrasar salários. Se hoje temos arrecadação de 40% do que precisamos para manter categoria de base, futebol e social, não devemos aderir ao Profut, não é o momento para o clube.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]