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Paraná abandona taças e história do clube em depósito no Boqueirão

Sem espaço para museu, clube põe parte do acervo de troféus e camisas históricas em sala para dança na Vila Olímpica. Local não guarda com segurança a memória tricolor

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Há cerca de dois anos, grande parte da história do Paraná está abandonada em meio ao pó de uma antiga sala de dança desativada na subsede social da Vila Olímpica do Boqueirão.

No cômodo, que mede cerca de 60 metros quadrados e contém um banheiro adjunto, dezenas de troféus que representam gloriosos feitos paranistas, como a taça do Módulo Amarelo da João Havelange, conquistada em 2000, estão empilhadas sem as mínimas condições de preservação e segurança.

O descaso do clube com o acervo histórico e afetivo vai além. Grandes caixas de papelão atiradas em um dos cantos úmidos do recinto guardam as camisas de jogo dos primeiros anos de história do Tricolor. Peças confeccionadas com algodão e símbolos bordados, algumas com 25 anos, idade do clube, carecem dos mais básicos cuidados.

Outras caixas acumulam em seu interior verdadeiro arquivo histórico paranista, com documentos e registro de jogos – como fichas de inscrição de atletas do passado e súmulas oficiais de partidas.

Tudo isso em meio à desordem de fileiras de móveis de madeira carcomidos pelo tempo e antigos armários de metal enferrujados.

Na porta de entrada da pequena sala, uma simples corrente de ferro, amparada por um cadeado de tamanho médio, guarda o tesouro abandonado.

Até meados de 2013, os troféus, fotos, faixas de campeão, flâmulas e documentos eram curados por João Maria Barbosa, o Barbosinha, um senhor de 91 anos, ex-jogador do Água Verde, um dos embriões do Tricolor. Ele mantinha todos os registros de forma organizada em um espaço de destaque na sede social da Kennedy. O local, no entanto, próximo ao salão de festas, foi arrendado para uma empresa de eventos.

Indagado sobre o abandono do acervo, o presidente paranista, Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, afirma que o clube estuda a construção de uma nova sala de memória, na própria sede da Kennedy, mas não revela detalhes do projeto ou a data de início.

O aspecto geral da sub-sede do Boqueirão, por sua vez, completa o cenário deprimente do local. São quatro piscinas desativadas, um tobogã envelhecido e sujo, além de uma série de salas sem uso. Apenas o gramado de um campo de futebol, onde treinam as escolinhas, ainda recebe manutenção.

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