
Ouça este conteúdo
O parlamentar Andy Burnham foi proclamado nesta sexta-feira (17) o novo líder do Partido Trabalhista e na segunda-feira (20) se reunirá com o rei Charles III, que lhe pedirá para formar um governo. Assim que aceitar a solicitação do monarca, Burnham será oficialmente o primeiro-ministro do Reino Unido, substituindo o correligionário Keir Starmer, que anunciou sua renúncia em junho.
Criado em uma família católica, Burnham será o primeiro primeiro-ministro britânico da era moderna a se apresentar abertamente como católico.
Ele nasceu em 1970, na região de Liverpool. O pai dele era engenheiro de telefonia e a mãe trabalhava como recepcionista em um consultório médico.
Ainda adolescente, aos 15 anos, Burnham se filiou ao Partido Trabalhista, influenciado pelos impactos econômicos e sociais das greves durante o governo de Margaret Thatcher (1979-1990).
Ele é formado em literatura inglesa pela Universidade de Cambridge e iniciou sua carreira política como assessor parlamentar. Em 2001, foi eleito deputado pela primeira vez e passou a integrar os governos trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown.
Ao longo dos anos, Burnham ocupou cargos importantes, incluindo o de secretário-chefe do Tesouro, secretário da Cultura e secretário da Saúde. Após duas derrotas em disputas pela liderança do Partido Trabalhista, ele deixou o Parlamento em 2017 para concorrer à prefeitura da Grande Manchester.
Durante sua gestão, Burnham ficou conhecido por defender uma maior participação do Estado na economia e por confrontar o governo nacional, tanto dos conservadores quanto dos trabalhistas.
Sua projeção nacional aumentou especialmente durante a pandemia de Covid-19, quando entrou em confronto com o então primeiro-ministro Boris Johnson, do Partido Conservador, por causa das restrições impostas ao norte da Inglaterra e do volume de ajuda financeira destinado às regiões afetadas.
Na ocasião, Burnham acusou Londres de tratar o norte do país como “cidadãos de segunda classe”.
Uma de suas medidas mais controversas foi a retomada do controle público do sistema de ônibus da região. No ano passado, a Grande Manchester se tornou a primeira área da Inglaterra em quatro décadas a retirar a operação do transporte coletivo das mãos de empresas privadas e colocá-la sob administração pública local. A iniciativa foi celebrada por sindicatos e setores da esquerda britânica, mas recebeu críticas de defensores de políticas de livre mercado.
Burnham também defendeu programas de investimento público, ampliação dos gastos governamentais em infraestrutura e uma atuação mais ativa do Estado no desenvolvimento econômico do norte da Inglaterra. Ao longo dos anos, ele se tornou um dos principais críticos da concentração de investimentos em Londres e passou a defender maior autonomia para os governos regionais.
Apesar de ser católico, o político trabalhista já criticou posições consideradas por ele como “tradicionais” da Igreja Católica relacionadas à sexualidade e se mostrou favorável ao debate no Reino Unido sobre a legalização da morte assistida, medida que contrária o discurso da Igreja.
Um dos seus principais desafios será a instabilidade política recente do Reino Unido. Burnham será o sétimo premiê britânico desde a votação do Brexit, referendo para a saída do país da União Europeia, realizado em 2016.
Em discurso nesta sexta-feira em Londres, ele afirmou que o Partido Trabalhista, que sofreu uma forte derrota para o direitista Reforma Reino Unido nas eleições regionais de maio, está unido e “empregará a força dessa unidade em prol de pessoas e lugares que há muito esperam que a política lhes permita voltar a ter esperança”.








