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O Paraná fechou uma par­­ce­ria para se transformar em empresa e irá participar da bol­sa de valores a partir de abril. Essa é a data prevista pa­­ra a oferta inicial de ações, chamada de IPO, da Atletas Bra­­sileiros S/A, organização fundada em 2010 por um grupo de investidores e que passa a ter o Tricolor co­­mo acionista majoritário – o clube irá colocar todos os direitos econômicos dos atletas que possui como capital da empresa.

A parceria transforma os direitos econômicos em ações, que são papéis que representam parte do capi­­tal da empresa. As ações não são discriminadas por jo­­gador. Todas são papéis da Atletas Brasileiros. "O clube deixa de ter pressão financeira para vender os jogadores. Quando precisar de dinheiro, pode optar também por vender ações que possui ou emitir novas para capitalizar a empresa. Além disso, ao lucrar com venda de ações ou de atletas, pode reinvestir ou receber dividendos", explicou o atual diretor-presidente e de relação com os investi­do­­res da Atletas Brasileiros, Ale­­xan­­dre Azambuja.

No último balanço financeiro divulgado pelo Paraná, referente a 2011, os direitos econômicos de atletas somavam apenas R$ 380 mil – os números do ano passado serão publicados até o fim de abril.

Segundo Azambuja, o Pa­­ra­­ná passa a ser dono de R$ 60 milhões com a conversão em ações. "Se um jogador for dispensado ou sair do clube em fim de contrato, o Paraná fará a reposição com outro atleta ou pagando uma compensação financeira [à empresa]", disse Azambuja, que deixará a presidência daqui a 10 dias, quando o Paraná, por ter 67% das ações, indicará seis dos nove membros do conselho de ad­­ministração, o diretor-presidente e vários dos diretores.

O Paraná espera usar a empresa para buscar novos jogadores. "O diretor de patrimônio e futebol da empresa poderá comprar direitos econômicos e eles serão vincula­dos ao Tricolor. Se a comissão técnica tiver interesse, ele defenderá o clube", contou o superintendente paranista, Celso Bittencourt.

A medida não é a primeira envolvendo investidores. Em 2005, um fundo com dirigentes do clube foi usado para trazer jogadores, mas foi desfeito em 2007. Ano passado, quatro atletas tiveram metade de seus direitos econômicos fatiados e disponibilizados, com resultados considerados satisfatórios pela diretoria.

No exterior, clubes entrarem na bolsa é algo relati­­va­­men­te comum, com mais de 30 agremiações participando. Exemplo bem-sucedido é o Manchester United, que se capitalizou e aumentou mais de 100 vezes seu valor em uma década. No Brasil, porém, a medida não teve sucesso nas poucas tentativas.

Na década de 90, três clubes se aventuraram no mercado. O Fluminense e o Vasco não conseguiram vender após o lançamento. O Bahia chegou a colocar papéis à venda, mas teve resultados decepcionantes. O último a tentar foi o Coritiba, que consultou a Comissão de Valores Mobiliários em 2003 e, em 2004, recebeu a resposta que não poderia vender ações pelo valor do clube não dar garantias aos credores.

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