
Na próxima década, as chances de o Paraná revelar um atleta que tenha a totalidade de seus direitos econômicos ligados ao clube são praticamente nulas.
Assim, nos próximos dez anos, a tendência é de que todo jogador das categorias de base que ganhe uma chance entre os profissionais já tenha sido negociado, pelo menos em parte, com empresários. A informação desanimadora foi revelada por Leonardo Oliveira, diretor de planejamento do Ninho da Gralha, a casa das promessas tricolores.
"Na base, a gente só vai ter um elenco 100% do clube quando a gente formar desde a menor das categorias. Temos um grupo hoje, entre 8 e 11 anos, qualificadíssimo. Essa geração, muito provavelmente, vai ser 100% do Paraná", acredita Oliveira.
O coordenador técnico do Ninho, Mathias Lamers, confirma o cenário sombrio. As dificuldades financeiras forçaram o clube a vender parte dos direitos de jovens atletas e a dividir o lucro de uma eventual venda a empresários e grupos de investidores. Uma fonte de renda complementar.
"Infelizmente, a partir dos 15 anos, a maioria dos meninos já têm empresários e procuradores. O que tentamos fazer aqui na base é estipular valores de porcentuais, sempre procurando privilegiar a maior parte para o clube. Hoje, pela nossa situação [financeira], temos muitos atletas fatiados", confirma Lamers.
O elenco que atualmente disputa a Série B serve como exemplo. O zagueiro Alisson, o volante Marcos Serrato e os atacantes Júlio César e Arthur que saíram recentemente da base têm seus direitos econômicos divididos entre o clube e investidores.
O zagueiro Hudson, 18 anos, uma das principais apostas para o futuro do clube, trilha o mesmo caminho. Antes mesmo de treinar entre os profissionais, o jogador, com passagens pelas categorias de base da seleção brasileira, tem 30% dos direitos ligados a empresários. Outras promessas, como Matheus Lima, Paulinho, Marcelo e Alexei, estão na mesma situação.
Para o diretor de futebol Marcus Vinícius, o Tricolor não é o único time a negociar parte dos jogadores da base para equilibrar as finanças do time principal. Segundo o dirigente, os clubes do país são prejudicados por causa da Lei Pelé. "Todos os clubes que vivem situações financeiras difíceis utilizam esta estratégia. É errado, mas é uma saída para os times. Porém, se a lei atual não mudar, o futuro da base é triste. É muito difícil, você não consegue amarrar um jogador por muito tempo e, ao mesmo tempo, o seu percentual não fica 100% para o clube", diz.



