O presidente da CBF se mostrou preocupado com a “ira desmedida” de torcedores | Ricardo Stuckert/CBF
O presidente da CBF se mostrou preocupado com a “ira desmedida” de torcedores| Foto: Ricardo Stuckert/CBF

Em campanha em defesa da arbitragem brasileira, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, publicou novo artigo nesta terça-feira pedindo mais tolerância e melhor convivência no mundo do futebol. Ele afirmou que a CBF quer abrir um “debate nacional” com clubes, imprensa e torcedores no texto intitulado “A Ditadura do Erro Zero e o Preço da Intolerância”.

“A intolerância faz vítimas diariamente no futebol. O equívoco deixou de ser admitido como algo humano. Juízes, jogadores, treinadores, diretores - e agora até jornalistas - todos estão no mesmo barco do julgamento coletivo e instantâneo, à deriva da ditadura do erro zero”, escreveu Del Nero, citando jornalistas atacados por torcedores nas redes sociais.

O presidente da CBF se mostrou preocupado com a “ira desmedida” de torcedores, que estariam até colocando em risco a vida de dirigentes dos clubes. “A ira desmedida alveja presidentes de clubes impedidos de sair de casa após uma derrota em um clássico”, disse Del Nero.

“É um erro chamar de torcedores os selvagens que se escondem atrás da multidão, do anonimato ou da internet para expurgar seus descontentamentos à custa do desassossego de pessoas que apenas estão exercendo seu direito de trabalhar, opinar ou simplesmente se divertir”, reforçou.

Ele também criticou a atitude dos próprios dirigentes de clubes que se manifestam publicamente, levantando suspeitas sobre os resultados de partidas e campeonatos. “A emoção que é a alma do futebol não pode ser desculpa para declarações irresponsáveis de dirigentes, técnicos, jornalistas e torcedores que jogam em terceiros suas próprias frustrações. Pessoas que usam microfones ou as redes sociais para, sem qualquer indício ou prova, ‘denunciar’ uma teoria conspiratória de que um campeonato com a história e o equilíbrio do Brasileirão já tem um vencedor antes mesmo de seu terço final.”

Para coibir este comportamento, Del Nero sugere a criação de um “fair play” também fora dos gramados. “A CBF pretende iniciar um debate nacional que permita às pessoas envolvidas no futebol a preservação de sua imagem até que se prove o contrário. É a hora da cruzada pelo respeito não só aos juízes dentro de campo, mas a todos aqueles que torcem e se esmeram por um futebol brasileiro melhor”.

“O ‘fair play’ que pregamos em campo pode ser seguido por todos os segmentos do esporte, inclusive os torcedores, protagonistas deste espetáculo. No futebol, sempre haverá vencedores e vencidos, faz parte do jogo. Só não podemos mais admitir a agressão, a ameaça a famílias ou a destruição de reputações com a justificativa rasa e primária de que futebol é paixão.”

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