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Eleição

Sem cota extra, FPF marca oposição à CBF

Federação Paranaense tem aumento de “mesada” recusado e deixa de votar em Del Nero, que comandará o futebol nacional a partir de 2015

Marco Polo Del Nero agradece o apoio de José Maria Marín: continuidade na CBF | Wilton Junior/ Estadão
Marco Polo Del Nero agradece o apoio de José Maria Marín: continuidade na CBF (Foto: Wilton Junior/ Estadão)

Marco Polo Del Nero foi es­­colhido presidente da Con­­federação Brasileira de Futebol (CBF) como previsto, mas não com a aclamação esperada. Na eleição realizada ontem, no Rio, o presidente da Federação Paulista, candidato único, recebeu 44 dos 47 votos possíveis. As exceções foram a abstenção do Figueirense e dois votos em branco, das federações Paranaense e Gaúcha, que surgem como foco de resistência ao mandato de quatro anos que começa em abril de 2015.

O voto de protesto de Hélio Cury (Paraná) e Francisco No­­veletto (Rio Grande do Sul) foi o que sobrou da oposição articulada ao longo de 2013. O grupo, que ainda contava com as federações mineira, fluminense e baiana, além do ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, enfraqueceu no início deste ano. Noveletto se colocou como candidato e foi à caça do apoio necessário para inscrever chapa. Sem o número mínimo de adesões (oito federações e cinco clubes da Série A), deixou Del Nero, apoiado pelo atual presidente José Maria Marín, de quem é vice, como único concorrente. Minas, Rio e Bahia acabaram se rendendo e votando na situação.

"Não poderia tomar outra posição diante de uma chapa que não tem proposta nenhuma para o futebol brasileiro. O nome da chapa fala em continuidade e precisamos de evolução. É a continuidade da continuidade", justificou Cury, em alusão ao nome "Continuidade Administrativa" da chapa de Del Nero.

O principal motivo do voto em branco de Cury foi a recusa de Del Nero a uma proposta de repasse anual de dinheiro às federações. Uma cota de R$ 2 milhões a 6 milhões, com base no ranking da entidade, que consumiria R$ 108 milhões do orçamento de R$ 500 milhões da confederação. Diante da negativa, Cury chegou a propor um escalonamento, com 50% em 2015 e 75% em 2016. Também não passou.

"A CBF não pode fazer rateio puro e simples sendo que já ajuda as federações mensalmente [R$ 50 mil para cada uma]. O trabalho da CBF é representar a seleção brasileira e organizar os torneios nacionais de clubes", rebateu Delfim Pádua Peixoto, presidente da Federação Catarinense e eleito vice da Região Sul. Completam a lista: Marín (Sudeste), Fernando José Sarney (Norte), Gustavo Dantas Feijó (Nordeste) e Marcos Antônio Vicente (Cen­­tro-Oeste).

Outra discordância financeira esteve na origem do afastamento entre Cury e Del Nero. Há dois anos, o presidente da Federação Paranaense bateu na porta da CBF para pedir um empréstimo que evitasse o leilão da sede da FPF.

"Tentei empréstimo de R$ 1,7 milhão e a CBF negou, mesmo com orçamento de R$ 400 milhões e com a própria sede sendo dada como garantia de pagamento", relembra Cury.

A posição de Cury e Nove­­letto foi uma exceção em um processo marcado por troca de elogios.

"O Marco Polo à frente da CBF é sinônimo de competência e modernidade", disse Marín. "O presidente Marín e sua administração conseguiram avanços importantes. Serão poucas mudanças, mas cada administrador possui o seu estilo", retribuiu Del Nero, em uma demonstração de que a continuidade que batizou a chapa será exercida ao pé da letra.

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