Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Corrupção no futebol

Vice da Fifa paga US$ 10 milhões para aguardar processo em liberdade

Jeffrey Webb foi uma das sete pessoas presas no dia 27 de maio em Zurique sob acusação de corrupção

Jeffrey Webb, presidente da Concaf detido na operação do FBI que investiga a corrupção na Fifa. | SZILARD KOSZTICSAK/EFE
Jeffrey Webb, presidente da Concaf detido na operação do FBI que investiga a corrupção na Fifa. (Foto: SZILARD KOSZTICSAK/EFE)

O ex-vice-presidente da Fifa Jeffrey Webb pagou uma fiança de US$ 10 milhões (o equivalente a R$ 32 milhões) para aguardar seu processo em liberdade nos Estados Unidos. Webb, acusado pela Justiça norte-americana de corrupção, declarou-se neste sábado (18) “não culpado” diante de uma corte em Nova York. Num processo que promete levar meses, Webb aguardará uma decisão em prisão domiciliar. Mas, para isso, precisou depositar a fiança num pacote que incluiu bens de seus familiares, propriedades, carros e até ativos financeiros.

O dirigente foi o primeiro a ser extraditado da Suíça para os EUA. Mas, no caso de Webb, a viagem ocorreu de forma voluntária. Ele foi uma das sete pessoas presas no dia 27 de maio em Zurique. A decisão de ser extraditado pode ser interpretada como um sinal de que ele estaria disposto a colaborar e mostrar os caminhos internos da Fifa em troca de uma redução de sua pena.

O esquema

Por anos, Webb criou em torno de si uma aura de Mr. Clean ao ponto de apenas aceitar cortar o cabelo em um determinado local, que o cobrava apenas US$ 10. Se oficialmente ele havia sido eleito para a Confederação das Américas do Norte, Central e do Caribe (Concacaf) para substituir uma era de corrupção na entidade e limpar o local, a realidade é que Webb apenas perpetuou o sistema, inclusive pedindo mais dinheiro.

Ele ficaria com US$ 3 milhões e, em troca, assinaria um contrato com a empresa brasileira Traffic para dar os direitos exclusivos para que explorasse os direitos de TV dos jogos das Eliminatórias do Caribe para as Copas do Mundo de 2018 e 2022. O dinheiro era parte de um pacote de US$ 23 milhões em subornos que o empresário José Hawilla pagaria para a União de Futebol do Caribe.

Outros US$ 2 milhões seriam dados para Webb para os contratos da Concacaf para a realização da Copa Ouro a partir de 2013 e para a Liga dos Campeões da região. “Praticamente imediatamente depois de assumir suas funções, Webb retomou o envolvimento com os esquemas criminosos”, indicou o indiciamento do dirigente.

O que surpreenderia os investigadores americanos é que, em 2012, parte do dinheiro foi transferido para Webb usando uma empresa que estava construindo uma piscina em sua casa de Loganville, nos EUA. Outra parcela caiu na conta de um assessor e amigo de Webb, Costas Takkas. O laranja, porém, transferiria os recursos depois para a conta do dirigente esportivo.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.