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Luta

Geração MMA

De olho no sucesso dentro do octógono, atletas trocam a especialização em um estilo de luta pela combinação de várias modalidades

Diego Roberto e André Tubes treinam o novo estilo generalista consagrado pelo sucesso das lutas de MMA: o desafio é se tornar um lutador completo | Marcelo Elias/ Gazeta do Povo
Diego Roberto e André Tubes treinam o novo estilo generalista consagrado pelo sucesso das lutas de MMA: o desafio é se tornar um lutador completo (Foto: Marcelo Elias/ Gazeta do Povo)
Charles

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Charles

Cinco anos. No máximo até o fim desse pe­­ríodo o mundo da luta estima conhecer um campeão diferente. Graças ao crescimento e à popularização do MMA (artes marciais mis­­tas, na sigla em inglês) começa a surgir uma nova geração de lutadores, os especialistas em va­­le-tudo.

Se antes a regra era o atleta mi­­grar de uma modalidade específica para colocá-la à prova no MMA – à medida em que buscava novos recursos técnicos –, agora a tendência é ampliar conhecimentos logo de cara. Nas academias, é cada vez mais frequente o treino generalista. Esses lutadores já "nascem" experts nas artes marciais mistas.

Pode ainda não ser um estilo próprio, mas já é um esporte. E bi­­lionário, especialmente nos Esta­­dos Unidos. Lá se digladiam os maio­­res lutadores do mundo e o UFC (Ultimate Figthing Championship) começa a exigir uma formação ca­­da vez mais versátil a quem quer subir no octógono – e vencer.

"Com certeza houve uma evolução. Antigamente o lutador vi­­nha de uma luta de origem e de­­pois se aprofundava em outros fundamentos. Basicamente, en­­globava técnicas de jiu-jítsu, muay thai, boxe, wrestling e judô. Hoje o atleta moderno já faz um pouco de tudo", reconhece Rudimar Fe­­dri­­go, fundador da academia Chute Boxe, onde começaram a ser forjados vários campeões mundiais, como Wanderlei Silva, Maurício Shogun e Anderson Silva.

"Vimos que era um caminho de retorno financeiro mais rápido do que outras lutas e cada vez mais atle­­­tas se interessavam em fazer o MMA. Uma exigência do lutador mo­­derno. Mesclamos essas artes nos treinamentos. É um treino pi­­cado. Um supletivo da luta", explica Fedrigo.

A rotina do novo competidor inclui uma agenda variada. Na­­da de luta em pé em um horário e trabalho de chão no outro, por exemplo. E muita atividade física. "É treino de MMA mesmo. Tenta o estrangulamento do jiu-jítsu e golpeia com socos. Dá o chute do muay thai e prepara a queda. Tudo combinado", explica o técnico Eric­­son Cardoso. Ele treina, no Gua­­rujá, uma das promessa do país nesse novo molde de lutador produto do MMA. Charles "du Bronxs" tem 21 anos e é chamado por alguns fãs de "Neymar do UFC".

O jovem construiu sua base no jiu-jítsu, chegou a viajar para Curi­­tiba para aprimorar o muay thai e teve uma experiência importante entre os lutadores de ponta: a presença em torneios amadores de MMA. Nesses eventos as regras são mais rígidas e usa-se capacete, ca­­ne­­leiras e luvas mais macias. "É um novo estilo que tem se po­­pu­­larizado muito. Cresceu de­­mais. Hoje recebo crianças a partir de 12 e 13 anos que querem o MMA", acrescenta Car­doso.

Entre os lutadores mais consagrados, dois nomes despontam co­­mo símbolos da versatilidade, mes­­mo seguindo a antiga escola. A nova estrela do octógono é o norte-americano Jon Jones. Em sua última luta no UFC, ficou com o cinturão do curitibano Maurício Sho­­gun, nos meio-pesados. Apesar da base forte no wrestling, ele migrou rápido para os treinos em várias modalidades. O canadense Geor­­ges St. Pierre, carateca de origem – para fugir do bullying na infância –, se especializou também em boxe, wrestling e jiu-jítsu e é considerado um dos mais completos na galeria dos campeões do UFC.

Toda essa evolução é quase um golpe à origem do vale-tudo. A família Gracie desafiava lutadores de vá­­rias modalidades para provar que o jiu-jítsu – criada para a defesa por monges budistas – era mais eficiente do que qualquer outra arte marcial. Ainda mais naqueles anos 30, quando não havia nem regras e nem tempo para as lutas.

O combate no solo propagado pe­­los Gracie criou fortes raízes no Rio. Curitiba foi a porta de entrada do tailandês muay thai no Brasil, há mais de 20 anos, e o talento nos gol­­pes e chutes trouxe fama internacional à cidade.

O apego a cada uma das artes – mesmo que outras fossem in­­corporadas ao vale-tudo – acirrava a rivalidade. A vitória era como um nocaute no estilo adversário. Hoje a febre do MMA desafia to­­dos os estilos.

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