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O sorriso aberto no rosto dizia tudo: Wellington Silva estava muito feliz com o triunfo contra o Ceará, no sábado, com um gol dele. Gol feito com a mão, diga-se. "Ah, a gente precisava muito dessa vitória né?", falou Wellington, informalmente, à reportagem da Gazeta do Povo que esteve no desembarque do Paraná Clube no Aeroporto Afonso Pena, neste domingo (20).
A conversa teve de ser informal porque o departamento jurídico do Tricolor proibiu o jogador de falar sobre o assunto, como avisou o superintendente Beto Amorim: "Ordens de cima, sabe como é".Wellington Silva também sabe como é, ou pelo menos se lembrou de como é o assédio da torcida, feliz com a vitória. Enquanto caminhava pelo saguão, era cumprimentado por torcedores. Um, mais empolgado, pedia: "Alguém tem que pôr uma placa para você na Vila!". Talvez não. A placa seria um atestado da "Lei de Gérson", aquela que diz que é bom levar vantagem em tudo.
Coisa que Wellington, informalmente, não quer saber. Ele disse que confessou que fez o gol com a mão e que o próprio árbitro, Charles Hebert Cavalcante Ferreira, assumiu que estava mal posicionado -- deve ficar na geladeira até o fim do ano. Melhor para o Paraná, que voltou a conhecer uma vitória longe de casa. A última também foi contra um frequentador assíduo do G4 da Série B, o Guarani.
No Ceará, protestos. O presidente do clube, Evandro Leitão, disparou: "Não foi a primeira vez que fomos prejudicados pela arbitragem na Série B deste ano, mas esta foi a mais vergonhosa, a mais escancarada. Todo mundo percebeu claramente que o jogador do Paraná usou a mão. Como o árbitro, a bandeirinha e até mesmo o quarto árbitro não viram?", perguntou. Leitão ainda observou algo que foi confirmado por Wellington Silva. "O atacante do Paraná nem comemorou o gol na hora que a bola tocou as redes porque não acreditou que o lance seria validado", disse o cearense. Wellington contou que quando viu o juiz correndo para o meio do campo, saiu comemorando.
O Ceará promete fazer uma reclamação formal junto à CBF. A razão principal é que a equipe nordestina vem sendo prejudicada em uma disputa pela vaga na Série A contra clubes paulistas. A informalidade no papo com Wellington Silva pode ser justificada em razão disso. Beneficiado desta vez algo incomum para o Paraná o Tricolor não quer pagar pela incompetência da arbitragem. Ainda que o presidente Aurival Correia disfarce: "Não tem muito porque ele ficar falando do gol. Isso é coisa do futebol". Correia, que esteve em Fortaleza, ainda contou como reagiu na hora do lance. "Comemoramos muito!", disse o presidente, com um sorriso há tempos não visto por ali.



