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Fórmula 1

GP do Brasil abre corrida pelo dinheiro

Vizinhança do autódromo lucra com hospedagem, lanches e camarote improvisado

Dona Judith com o filho Marcelo e os netos posam em frente do cartaz gigante de Ayrton Senna: alugar os quartos de casa ajuda na renda em período de GP Brasil. | Leonardo Mendes Júnior/Gazeta do Povo
Dona Judith com o filho Marcelo e os netos posam em frente do cartaz gigante de Ayrton Senna: alugar os quartos de casa ajuda na renda em período de GP Brasil. (Foto: Leonardo Mendes Júnior/Gazeta do Povo)

Difícil subir a Rua Manoel Teffé, no Jardim Satélite, ao lado do Autódromo de Interlagos, sem notar o cartaz em tamanho natural de Ayrton Senna, vestido com macacão da Williams. Inevitável parar, tirar a máquina do bolso e registrar a cena em local tão improvável. É a senha para Dona Judith se aproximar e puxar conversa. "Pode tirar foto com o nosso campeão. Faz falta até hoje. Quando morreu, todo mundo no bairro ficou triste, como se fosse da família", conta, enquanto puxa os netos para enfeitar a foto do visitante.

Moradora do Jardim Satélite há 23 anos, ela aproveita o GP para reforçar o orçamento. Aluga os quartos da sua casa, localizada perto do fim da reta oposta. A diária sai por R$ 50 e os lugares são concorridos. Há reservas desde o ano passado.

"Tem gente de Curitiba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina. Com o Massa brigando pelo título, é uma esperança a mais de ganhar dinheiro. É ótimo para nós", conta Marcelo Aparecido Ferreira, filho de Dona Judith, que também vende lanche e bebidas.

O comércio provisório é comum por toda a vizinhança. Raro encontrar uma casa do bairro de vielas estreitas, nessa época excepcionalmente superprotegido pela polícia, em que não se lucre com o GP. Além da hospedagem mais próxima do autódromo e barata do que em qualquer hotel, os moradores transformam suas garagens em estacionamentos e lanchonetes, cuja especialidade é cerveja e espetinho.

Quem tem vista para o autódromo transforma seu imóvel em camarote improvisado. Um lugar nas lajes vizinhas a Interlagos chega a valer R$ 80, com tratamento vip que inclui cerveja, uísque e lanche – tudo cobrado à parte.

A reportagem tentou subir na laje de uma farmácia que oferece "camarote" com vista privilegiada para o "S" do Senna e a reta oposta. Após muita negociação, os funcionários disseram que a visita só seria permitida com a chegada do dono do imóvel, no fim do dia.

Alguns metros adiante, o piso superior de uma imobiliária também dá vista exclusiva da pista. "Mas aqui é familiar. Sou tio do Rubinho", disse o dono do local, também sem permitir o acesso da reportagem. Amanhã, até um andaime de 10 metros servirá de arquibancada para os mais corajosos.

Pelas calçadas, ambulantes vendem de tudo. Os itens mais procurados são bonés e camisetas da Ferrari (a R$ 10 e R$ 30, respectivamente) e, claro, ingressos. Ontem à tarde, um grupo negociava bilhetes vip em um portão de entrada. "Mil reais cada um", disse uma senhora de mais de 50 anos. "Mil e quinhentos pelos dois", retrucava o comprador.

Nos pontos de táxi, a disputa é para conseguir boas corridas, que chegam até a R$ 500 (São Paulo-Jundiaí). Para fidelizar o cliente, uma pergunta logo após o passageiro falar o seu destino mostra que o lucro e a diversão vão muito além de Interlagos: "Quer conhecer alguma garota?"

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