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Festa azul tomou conta da cerimônia de abertura com contornos olímpicos na Arena do Grêmio | Henry Milléo / Gazeta do Povo
Festa azul tomou conta da cerimônia de abertura com contornos olímpicos na Arena do Grêmio| Foto: Henry Milléo / Gazeta do Povo

Uma festa azul, preta e branca, marcada fortemente pelo gremismo e o gauchismo, mas sob um forte cheiro de argamassa. O Grêmio inaugurou a era de superestádios do futebol brasileiro ao abrir sua arena, na noite deste sábado (8), com uma cerimônia que procurou seguir o padrão de uma abertura olímpica e um amistoso carregado de simbolismo contra o Hamburgo, adversário do maior título tricolor, o mundial de 1983. Como convinha para a ocasião, venceu o time alemão por 2 a 1 – mesmo placar da final em Tóquio. André Lima fez o primeiro gol da Arena – de cabeça – e levou a torcida ao delírio ao comemorar quicando no gramado como Kidiaba, o folclórico goleiro do Mazembe, algoz do rival Inter no Mundial de Clubes de 2010.

A arena apresentou ao torcedor gremista um novo padrão de estádio. Construído pela OAS ao custo de R$ 450 milhões e concebido a partir de uma consultoria da Amsterdam Arena, o estádio de 60 mil lugares não deve em nada aos similares europeus e ao nível imposto pela Fifa nas 12 sedes da Copa do Mundo de 2014. Arquibancadas próximas ao gramado, cobertura em todos os assentos, cadeiras (exceto no setor da avalanche), lanchonetes, camarotes luxuosos, lojas e escritórios à espera de locatários.

Uma olhada mais atenta, porém, deixava claro que a Arena Porto-Alegrense (seu nome oficial, até uma empresa adquirir o naming rights) precisava de mais algumas semanas para ficar totalmente pronta – o que reforça a impressão de que o 8 de dezembro foi mantido para Paulo Odone, presidente que idealizou o projeto, inaugurar a nova casa antes de passar o cargo a Fábio Koff. Sem o estacionamento pronto, não havia nenhuma vaga disponível ao torcedor, o que motivou uma forte campanha com apoio da imprensa local para o uso de transporte público. Ainda assim, muito arriscaram ir com veículo próprio, o que tumultuou o trânsito na região, obrigou muitos gremistas a caminhar centenas de metros para chegar e fez a festa dos moradores da região, que alugavam suas minúsculas garagens.

Dentro do estádio, havia muita argamassa por todos os cantos e rejunte pelas paredes. Em diversos pontos, goteiras. O sinal de celular sumiu e o trabalho pouco eficiente dos orientadores jogava pessoas de um portão para outro em busca do acesso correto e gerava cenas inusitadas. Enquanto um banheiro tinha fila de até 30 torcedores, outro a dez metros dali estava completamente vazio.

Os percalços, contudo, foram totalmente relevados pelo torcedor. O estádio não lotou, mas ficou perto disso. Bastava qualquer movimentação em azul, preto e branco no gramado para levantar a plateia. Às 20h45, começou a cerimônia de inauguração. O primeiro grande momento ocorreu quando os dois telões de 96,4 metros quadrados exibiram uma execução especial do hino do clube. Começou com um solo de Ivans Lins e partiu para um coletivo de músicos gremistas, entre eles o sanfoneiro Renato Borghetti e os cantores Kleiton Ramil e Humberto Gessinger.

A comoção provocada pelo hino deu o tom da cerimônia. Sempre que o Grêmio era a estrela central, o público ia ao delírio. Foi assim com a entrada de 11 jogadores históricos do clube – Danrlei, Baidek, De Leon, Tarciso, Adilson, Tcheco, Carlos Miguel e Jardel, entre outros. Foi assim quando o telão passou a exibir gols de grandes conquistas tricolores – o Gauchão de 77, os títulos de Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial. Foi assim nos inflamados discursos de Odone, Eduardo Antonini (presidente da Grêmio Empreendimentos), Eduardo Pinto (presidente da Arena Porto-Alegrense) e Carlos Eduardo Paes Barreto (diretor-superintendente da OAS Arenas). "Tivemos uma parceira e ela foi fantástica. Quero um aplauso para a OAS", conclamou Odone. A construtora ficará com 35% do faturamento do estádio nos próximos 20 anos.

Nos outros momentos, a cerimônia, encerrada às 21h53, esfriava, mesmo diante da bela apresentação de dança com ênfase na cultura gaúcha ou na exibição performática do Blue Man Group. Os homens azuis só levantaram a torcida ao vestirem camisetas com o escudo do Grêmio e ao receber como resposta de um pedido por gritos e gestos do público o coro "Vamos, vamos, vamos Tricolor! Vamos, Tricolor!" Estava mais do que claro que a torcida estava ansiosa por ver o time em campo na nova arena.

Em campo, o Grêmio rapidamente correspondeu. Logo aos 9 minutos, André Lima aproveitou cruzamento de Leandro para fazer 1 a 0. A vantagem fez o jogo rapidamente perder o ritmo, com o mandante administrando e o visitante tocando a bola. A monotonia foi quebrada por uma briga dentro da torcida Geral do Grêmio. O técnico Vanderlei Luxemburgo chegou a deixar o jogo de lado e olhar para a confusão, que era devidamente vaiada pelo restante do público. Chamavam a atenção também o gramado, ralo e soltando principalmente nas laterais, e a iluminação, forte ao ponto de a noite parecer dia.

No segundo tempo, o Grêmio voltou com sete substituições. O Hamburgo se aproveitou e passou a dominar o jogo. Nem parecia ter disputado uma partida pelo Campeonato Alemão na sexta-feira (7) e encarado uma viagem de 14 horas em voo fretado, da qual livrou apenas o astro holandês Rafael Van der Vaart. Westermann calou a Arena ao empatar a partida. O rendimento do Grêmio não melhorou, mas ainda assim o gol da vitória veio aos 42 do segundo tempo, com um cruzamento de Rondinelli e a finalização certeira de Marcelo Moreno.

Se a Arena até poderia abrir ainda incompleta, a festa em campo obrigatoriamente tinha de ser completa.

*O jornalista viajou a convite da Arena Porto-Alegrense

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