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Automobilismo

GT3 engloba pilotos em busca de velocidade, desafio e diversão

Categoria atrai gente à procura de diversão, aposentados das pistas e há até quem encontre nela uma profissão

O piloto Wilson Fittipaldi ao lado de seu Porsche 997, nos boxes do Autódromo Internacional de Curitiba. | Valterci Santos/Gazeta do Povo
O piloto Wilson Fittipaldi ao lado de seu Porsche 997, nos boxes do Autódromo Internacional de Curitiba. (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)

Pilotos aposentados, outros que têm no automobilismo um hobby e os profissinais da ativa. É com essa turma eclética no volante de máquinas como Ford GT, Ferrari F430, Dodge Viper, Porsche 997 e Lamborghini Gallardo que a GT3 Brasil desembarcou no Autódromo Internacional de Curitiba para o penúltimo fim de semana da temporada.

Sem a competitividade e a pressão da Stock Car, a categoria se tornou um passatempo de luxo para quem tem cerca de R$ 1 milhão disponível – só para importar o carro e as peças. Ou para quem é amigo de quem tem.

Em Curitiba, por exemplo, estão na disputa o empresário Xandy Negrão, que pilotou por muito tempo na Stock; o dono de equipe na Stock, Andreas Mattheis; o cineasta Walter Salles; e o ex-piloto Wilson Fittipaldi. Também competiram na temporada Emerson Fittipaldi e o apresentador de tevê Otávio Mesquita.

Salles, de 52 anos, que quase se tornou piloto profissional quando era mais novo, foi convidado por Negrão no ano passado a entrar na GT3. Com a carreira no cinema, que exige muitas viagens, ele chegou a dizer no início da temporada que era "como um turista acidental, que vem e faz algumas corridas".

No fim das contas, porém, a a-genda permitiu e ele disputou as 12 provas do ano – como são duas por vez, uma no sábado e outra no domingo, dedicou seis fins de se-mana ao automobilismo. No sétimo, tenta, em dupla com o ex-piloto de Fórmula 1 Ricardo Rosset, alcançar os líderes Negrão e Mat-theis.

Dono de duas equipes na Stock Car, Mattheis, que havia abando-nado a carreira de piloto em 1994 por falta de patrocínio, também entrou na GT3 como convidado de Negrão. "Era a oportunidade de dirigir carros que só víamos por foto. Mas também aproveito para aprender e aplicar as coisas lá", conta.

Ele destaca bem a diferença entre as categorias. "Para se ter uma idéia, na última prova da Stock, em Brasília, 26 carros andaram com meio segundo de diferença. Muito provavelmente, eu e o Xandy não seríamos competitivos. Por causa da idade e a própria disposição. Aqui o Xandy falou desde o início: É uma coisa light, vamos para nos divertir. Já a garotada toca mais", conta o piloto, de 54 anos.

Mesmo assim, eles estão na frente dos mais novos. Pilotos profissionais como o paranaense Alceu Feldmann, Valdeno Brito, Allam Khodair e Giuliano Losacco, que dividem a GT3 com a Stock.

A explicação, segundo Feldmann, passa pela superioridade dos Ford GT de Salles e Mattheis. "A equalização deles (na Europa, antes do início do campeonato) foi mal feita. É um processo para diminuir as diferenças entre os carros, mas a superioridade dos Ford ficou visível", afirma o quarto colocado no campeonato, que dirige um Dodge Viper. "Mesmo assim, vou fazer de tudo para chegar o mais perto possível do título. Encaro a categoria profissionalmente", diz, deixando clara a diferença de pensamento com os "turistas".

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