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Há 25 anos, Coritiba sofria a maior "canetada" do futebol brasileiro

Por não jogar com o Santos em Juiz de Fora (MG), CBF rebaixou o Coxa no Brasileiro de 1989

  • André Pugliesi
Presidente Baynard Osna em entrevista coletiva em 1989 para explicar por que o Coritiba não enfrentou o Santos em Juiz de Fora |
Presidente Baynard Osna em entrevista coletiva em 1989 para explicar por que o Coritiba não enfrentou o Santos em Juiz de Fora
 
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Há exatos 25 anos, num domingo, o Santos entrava em campo para enfrentar o Coritiba, em Juiz de Fora (MG). Amparado por uma liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o Coxa sequer viajou e o Peixe venceu por W.O.. O episódio detonou ao Coritiba a maior punição da história do futebol brasileiro.

Já na segunda-feira, a CBF sentenciou o castigo ao Alviverde: exclusão do Campeonato Brasileiro, suspensão por um ano de disputas oficiais e amistosas, rebaixamento para a 3ª Divisão e, finalmente, ressarcir o Santos e a prefeitura de Juiz de Fora em 400 mil cruzados novos.

Foi o chamado “canetaço”, ou “canetada”, de Ricardo Teixeira. Genro do então presidente da Fifa, João Havelange, o cartola-mor da bola no Brasil havia assumido a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no início daquele ano, após abandonar uma carreira malsucedida no mercado financeiro.

“O clube tentou enfrentar a CBF, desrespeitar a tabela e eu não poderia ficar de braços cruzados. Duvido agora, depois da decisão, que algum time brasileiro deixará de ir a campo”, comentou, à época, Teixeira, que permaneceria no cargo por 23 anos, até ser afastado por denúncias de corrupção.

“O Ricardo Teixeira ficou pressionado. Todo mundo dizia que ele não entendia de bola, nunca tinha entrado no vestiário. Usou o Coritiba como exemplo para mostrar força. Ele mesmo me disse isso num almoço na churrascaria Porcão da Barra da Tijuca, na frente do Dilso Rossi [ex-presidente do Paraná]”, contou João Jacob Mehl, presidente do Coxa de 1990-91 e 1998-99.

A recusa do Alviverde de enfrentar o Santos era por causa do jogo do Sport com o Vasco. Os pernambucanos brigavam por uma vaga na segunda fase com os paranaenses e atuariam somente três dias depois – ou seja, já sabendo do resultado necessário para a classificação.

“Era uma questão de isonomia. Houve a concessão da liminar e eu, de acordo com minha formação de advogado, votei por não irmos jogar. O que ocorreu depois foi uma violência, um desrespeito”, afirmou Mauro Maranhão, vice do Coxa, presidido e liderado na época por Bayard Osna, já falecido.

Advogado que conseguiu a liminar no STJD que, em tese, permitia ao time alviverde não ir a Juiz de Fora, Michel Assef relembrou a decisão. “Antes a CBF tinha esse poder, praticamente dissolveu o tribunal na ocasião. Decisões administrativas se sobrepunham a qualquer outra. Hoje não há mais clima para esse tipo de coisa”.

No início de 1990 o Coritiba conseguiu abrandar a penalidade. Um acordo foi costurado entre Bayard Osna, Jacob Mehl e Ricardo Teixeira, contando com o suporte de Onaireves Moura, presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF). Com a promessa de não levar o caso adiante na Justiça Comum, o clube escapou da suspensão, mas foi relegado à Segundona.

DO TOPO AO CHÃO

O “canetaço” de Ricardo Teixeira mergulhou o Coritiba numa crise da qual o clube só se livrou em 1996, quando, enfim, retornou à Primeira Divisão do Brasileiro. Até lá, o Coxa foi rebaixado à 3ª Divisão, enfrentou jejum de títulos estaduais e penou financeiramente.

“Vivi o auge e a decadência. A gente era o campeão estadual de 1989, tinha um timaço com chances de chegar às finais no Brasileiro e, de repente, tudo mudou”, relembra o ex-meia Tostão, grande ídolo alviverde na virada dos anos 80 para os 90.

De acordo com o ex-craque, outro fator acentuou a derrocada. “A perda do título de 1990 do Paranaense [para o Atlético, no Couto Pereira] gerou uma frustração muito grande. Parece que depois tudo deu errado”, complementa.

Na sequência do Estadual, o Coritiba realizou péssima campanha na 2ª Divisão e terminou entre os quatro últimos, na companhia de Anapolina-GO, Americano-RJ e Treze-PB. Entretanto, não precisou frequentar a Terceirona.

“A gente não ganhava de ninguém. Fui até o Ricardo [Teixeira, presidente da CBF] e pedi para me ajudar, pois ele tinha nos colocado naquela situação. Ele me falou para ficar tranquilo que ia mudar a Segunda Divisão”, relembra Jacob Mehl, presidente do Alviverde na época.

O declínio, segundo Mehl, foi fruto do caixa vazio. “Nossos jogadores estavam acostumados com o ‘bicho molhado’ [premiação paga em dinheiro vivo no vestiário], perdemos o patrocínio da Coca-Cola e os bingos foram proibidos. Além disso, tínhamos dinheiro na poupança, que foi bloqueada pelo Collor [eleito presidente da república no final de 1989]”.

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