Romário atendeu ao pedido de Eurico Miranda e, além de jogador, estará em São Januário como técnico do Vasco contra o América-MEX, hoje, pela Sul-Americana. A situação rara é semelhante a um episódio ocorrido em Curitiba pouco mais de 30 anos atrás. No lugar do artilheiro marrento, o personagem em foco era José Hidalgo Neto, o Capitão Hidalgo volante raçudo do invencível Coritiba dos anos 70. O jogador paulista radicado na capital paranaense era, assim como Romário hoje no Alvinegro, ídolo da torcida. Para ajudar o clube, assumiu o comando do time de maneira emergencial.
"Foi em 1974, no Brasileiro. O técnico Yustrich caiu (após empate por 1 a 1 com o Olaria) e o clube estava com dificuldades financeiras. Então, pediram para eu colaborar assumindo interinamente", explicou Capitão, que, meio desmotivado, já admitia estar pensando em pendurar as chuteiras. Os argumentos para convencê-lo eram a liderança que exercia no grupo e a experiência era tricampeão estadual pelo clube. Além disso, Hidalgo estava com uma distensão na perna direita e não poderia jogar por duas semanas.
"Falei que não queria ser técnico nunca na vida", contou. "Nos ajude, serão só 15 dias", retrucou o presidente Evangelino da Costa Neves.
Afeiçoado ao Coritiba, o volante aceitou a missão. A tarefa de tiro curto acabou se prolongando. O jogador Hidalgo permaneceu 14 rodadas à frente do Alviverde: em pouco mais de quatro meses, ganhou 5 jogos, empatou 4 e perdeu 5. A exemplo de Romário hoje, o curinga coxa-branca não se escalou durante seu mandato-tampão. "Tínhamos bons jogadores... e é até anti-ético", explicou ele, que continuou treinando normalmente depois de liberado pelo departamento médico.
A experiência surtiu efeito inesperado: Hidalgo recuperou a vontade de jogar. Por pouco, porém, não ficou fora do título estadual daquele ano como atleta. "Quando acabou o Brasileiro, pedi para trazerem outro técnico que eu podia até ser auxiliar. Veio o Armando Renganeschi e ele me pediu para jogar", revelou o volante, que ainda voltaria a treinar o time por dois meses em 1975, pouco antes de largar o futebol e se dedicar ao rádio.



