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História

Ídolo coxa-branca carrega a gratidão de Rogério Ceni

Ex-lateral de Coritiba e Atlético, o técnico Nilo Neves diz ter colocado o emprego em risco ao lançar há 21 anos um jovem goleiro no pequeno Sinop

  • Leonardo Bonassoli
O lateral-esquerdo Nilo com a camisa da seleção brasileira em 1968... |
O lateral-esquerdo Nilo com a camisa da seleção brasileira em 1968...
 
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Ídolo coxa-branca carrega a gratidão de Rogério Ceni

Quem viu o goleiro Rogério Ceni marcar, contra o Corinthians, o seu centésimo gol da carreira, fato único para um jogador da posição, não imagina que a estreia dele como profissional no pequeno Sinop, do Mato Grosso, quase custou o emprego de seu primeiro treinador.

Nilo Neves – ex-lateral-esquerdo do Coritiba nos anos 60 e 70 (com uma passagem pelo Atlético neste período) e da seleção brasileira (em 68) – foi o protagonista desta história.

Na ocasião, há mais ou menos 21 anos, o então garoto de 17 anos não só garantiu a cabeça do treinador, como depois disso construiu uma carreira vitoriosa, restando o respeito e a gratidão de ambos os lados.

“Ele começou a temporada como terceiro goleiro e os outros se machucaram. A diretoria queria contratar outro, mas eu disse que só se este aceitasse ir para o banco, pois eu queria lançar o Rogério. Ele era acima da média, excelente. O presidente do clube disse ‘pode lançar, mas, se a gente perder, você sai’...”, revela Neves, 68 anos, à procura de uma colocação no mercado.

Durante o tenso jogo contra o Cacerense, o Sinop venceu por 1 a 0 e Ceni defendeu um pênalti, abrindo o caminho para o primeiro título estadual da história do clube, em 1990.

A história do camisa 1 começou algum tempo antes. Nascido em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná, Rogério vivia em Sinop, no Mato Grosso, cidade surgida na fronteira agrícola da soja. O jovem se dividia entre o trabalho no Banco do Brasil e a prática esportiva.

“Ele jogava tudo: futebol, futsal e voleibol”, conta o orgulhoso técnico. “Um dia, no ano de 1989, o pai dele chegou para mim e perguntou se ele era realmente bom. Eu disse que sim e assim o Rogério deixou de trabalhar no banco para se dedicar somente ao futebol”, completa.

Por ser o Sinop um clube pequeno, Nilo Neves acumulava a função de preparador de goleiros. Antes e depois dos treinos coletivos, ele aplicava o trabalho específico. Rogério não batia faltas, mas mostrava intimidade com a bola nos pés, importante quando o futebol deixou de ter a possibilidade de recuo de bola.

“Quando ele era o terceiro goleiro, completava o time reserva no coletivo como meia-direita, meia-esquerda e volante. Ele trabalhava bem com os pés e eu brincava com ele que logo ele não poderia mais pegar a bola com a mão. A gente treinava muito reposição de bola e ele depois adquiriu uma técnica boa no São Paulo”, conta Neves.

Após a disputa, Rogério Ceni foi fazer testes no São Paulo e foi incentivado pelo treinador. “Não deram atenção no primeiro dia lá. Aí ele ficou no hotel, foi ao São Paulo no dia seguinte e viram que tinha condições. Disse para ficar tranquilo. Era feito um garoto de Sinop ir parar no juvenil do São Paulo. Tratava-se de uma joia. E logo todo mundo passou a confiar, sempre com postura de humildade, acreditando nas oportunidades”, elogia o técnico.

A admiração é mútua entre o pupilo e o primeiro mestre. “Ele foi um cara que me ajudou muito. Tenho um carinho muito grande pelo Nilo. Ele é um profissional que pela sua capacidade, seu conhecimento de futebol, poderia tranquilamente estar encaixado em qualquer grande clube do país. Ajudou muito no meu desenvolvimento para chegar aqui no São Paulo, ser aprovado nos testes e dar seguimento na minha carreira”, afirma Rogério Ceni, via assessoria de imprensa são-paulina.

“Ele enfrentou uma prova de fogo e adquiriu personalidade jogando. Ele se impôs na hora que estava no gol. Aí podia confiar, pois era um garoto de ouro e surpreendeu muita gente que não queria que ele jogasse”, conclui Neves.

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