
A equação medalha e investimento público que acompanha a delegação brasileira nos Jogos de Londres é uma conta que não fecha.
Idealizador da diretriz que tem no estado o principal financiador do esporte de alto rendimento, Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), avisa que repetir em solo inglês os 15 pódios conquistados em Pequim-2008, fechando com o modesto 23.º lugar no ranking geral, já estará de bom tamanho. A ambição de entrar no top 10 olímpico, diz o dirigente, fica mesmo para o Rio 2016.
A frase, porém, causa repulsa no governo federal. Escalado pelo Palácio do Planalto para ser o porta-voz das cobranças, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, quer ver o R$ 1,7 bilhão investido pelo poder público se refletir em medalhas.
O político fez a cobrança antes de embarcar para Londres, na terça-feira, e ao chegar à sede dos Jogos, quarta-feira. Situação que mostrou o atrito entre financiadores e financiados mesmo com Nuzman ladeando a presidente Dilma durante todo dia de ontem.
É o time mais caro da história do Brasil em 21 participações no evento esportivo.
O financiamento saiu de três fontes distintas: via Lei de Incentivo ao Esporte (R$ 482,6 milhões); Lei Agnelo/Piva (os R$ 558 milhões repassados diretamente ao COB); convênios do Ministério do Esporte com o comitê e confederações esportivas (R$ 116,6 milhões); e patrocínios de empresas estatais (R$ 552,5 milhões). O valor é quase o dobro gasto para os Jogos de Pequim, há quatro anos, que foi de R$ 1 bilhão.
"Quinze medalhas é pouco. Creio que com os investimentos públicos que foram aportados no esporte de alto rendimento, nós podemos sim sonhar com 20 medalhas como antessala, antevéspera da Olimpíada do Rio de Janeiro, onde nós queremos despontar como potência olímpica", cravou Rebelo, já em Londres, logo após se encontrar com patrocinadores da Copa do Mundo de 2014.
A previsão, porém, é que o Planalto termine os Jogos decepcionado no que se refere à quantidade. Levantamento de uma consultoria contratada pelo COB aponta o Brasil com 16 pódios, sendo sete medalhas douradas, quatro a mais do que Pequim Alison e Emanuel (vôlei de praia), Cesar Cielo (50 m livre na natação), Everton dos Santos (boxe), Fabiana Murer (salto com vara), futebol masculino, vôlei de praia feminino, Robert Scheidt e Bruno Prada (vela) e o vôlei masculino.
Prognóstico que não bate com o que prevê a revista norte-americana Sports Illustrated. Para a publicação, a delegação nacional volta de Londres com 24 medalhas, sendo oito de ouros Cesar Cielo, Everton dos Santos, futebol masculino, vôlei de praia feminino e Robert Scheidt e Bruno Prada integram os dois prognósticos.
"O principal desafio do Brasil em receber os Jogos é o mesmo que o Reino Unido enfrentou. Ter estrutura para fazer a Olimpíada como para ter o legado. Queremos ter o melhor legado tanto no que se refere ao esporte quanto na melhoria da qualidade de vida da população", afirmou a presidente Dilma Rousseff, que ontem visitou a Casa Brasil em Londres, cenário localizado na tradicional Somerset House, no centro da cidade, e bancado pelo poder público ao custo de R$ 23 milhões para promover a Olimpíada carioca.



