
Os jogadores e funcionários do departamento de futebol do Paraná entraram em greve ontem. Após a vitória por 2 a 0 sobre o Nacional, no domingo, os atletas pediram, ainda no vestiário, os pagamentos de salários e prêmios em atraso. "Não houve empolgação nenhuma (com o resultado). Parece até que teve efeito contrário", afirmou o gerente de futebol, Beto Amorim, sobre a decisão do grupo.
A paralisação começou às 16 horas desta segunda-feira, horário marcado para o treino na Vila Capanema. Os profissionais esperavam uma reunião com dirigentes do clube para discutir as dívidas, marcada para as 15h30. Como ninguém apareceu, eles deixaram o estádio sem nem sequer calçar as chuteiras. Todavia, garantiram se apresentar para o treino desta manhã, ir à concentração e para o jogo contra o Sport, amanhã, às 21h50, pela Copa do Brasil. Caso os débitos não sejam pagos, retomam o protesto na quinta-feira.
Háuma semana, o presidente do Paraná, Aquilino Romani, confirmou à Gazeta do Povo que havia pendências na folha salarial e previa uma solução "para os próximos dias". Os atletas decidiram não esperar mais e manifestaram que o gesto é também em apoio aos demais funcionários do departamento de futebol, que ainda não receberam os primeiros salários de 2010 e reforçaram o motim.
Os boleiros não falaram oficialmente, mas com a condição de não serem identificados pela reportagem confirmam o atraso na remuneração de fevereiro, de premiações dos jogos da Copa do Brasil e de cinco rodadas do Paranaense. Os débitos foram confirmados por Beto Amorim.
Jogadores do elenco de 2009 também não receberam direitos de imagem de duas partidas da Série B. No Ninho da Gralha, sede das categorias de base, a falta de pontualidade também descontenta os empregados.
Os funcionários do futebol tricolor já haviam ameaçado uma operação "braços cruzados" nesta temporada. No início de fevereiro, reclamavam o pagamento de 13.º salário e dos valores referentes a dezembro de 2009. Sem os depósitos, não trabalhariam no clássico contra o Atlético (7/4). A diretoria do Paraná fez o acerto em parcelas.
Assim como ocorreu ontem, o pagamento em atraso causou uma greve dos jogadores em 24 de novembro de 2009, vésperas da última rodada da Segundona, contra o Fortaleza. Reclamavam um salário em haver e dois direitos de imagem dívida que giraria em torno de R$ 1 milhão. Na mesma tarde voltaram às atividades.
As dívidas paranistas já foram parar na Justiça do Trabalho. O Tricolor enfrenta uma ação movida pelo meia Caio, do time júnior, que reclama atrasos e falta de depósitos do FGTS. A primeira audiência é em 19 de abril. O meia Cristian (também da base), o goleiro Rodolfo, os atacantes Davis e Clênio e o ex-técnico Sérgio Soares, do elenco principal, também reclamaram na Justiça, mas fizeram acordo.
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