Sob chuva e lágrimas, o principal jogador do Paraná no Brasileiro fez ontem duas partidas distintas. Irreconhecível e parecendo sentir a ameaça de perder a artilharia do campeonato para o meia Acosta (que antes da partida empatava com o camisa 9 paranista em número de gols na competição), até o 68.º minuto de jogo Josiel era um dos piores em campo.
O inferno astral de um time que vinha de quatro derrotas consecutivas, não havia marcado um gol sequer sob o comando de Saulo de Freitas e se afundava a cada rodada na classificação parecia, enfim, ter contagiado o único destaque do time da Vila na competição. Seus lances refletiam a fase ruim. Na primeira etapa, Josiel recebeu dois lançamentos na meia-cancha. Em um, ao tentar dominar a bola, tropeçou e caiu de forma bisonha. Em outro, perdeu a redonda ao vê-la passar por entre as pernas.
A má jornada do autor de metade dos gols paranistas no campeonato parecia continuar no segundo tempo. Josiel chutou nas nuvens após receber um passe de Léo Matos e, no lance seguinte, recuou a bola para Clêmer após ótimo lançamento de Goiano. Mas um lampejo do velho Josiel mudou a história da partida e o roteiro do filme de terror protagonizado por ele.
O gol de cabeça marcado após um escanteio na metade da segunda etapa mexeu com o artilheiro. A comemoração junto ao alambrado da torcida que festejava na curva Norte emocionou os tricolores. Josiel chorou. Em lágrimas, se ajoelhou e desabafou a pressão que o incomodava. Ele estava há três jogos sem marcar, justamente no momento em que o time mais precisa dos seus gols.
"Chorei pela cobrança, por tudo que estamos passando ultimamente e pela felicidade de marcar", justificou. Após o gol, todos viram um Josiel mais confiante, arriscando mais e quase marcando o segundo em duas ocasiões. No fim, o saldo foi positivo. Mais do que se manter na liderança isolada da artilharia com 19 gols, além de dar a vitória ao Paraná, Josiel também manteve viva a esperança de livrar o Tricolor da Série B. (ALM, AB e FM)



