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“Keirrison argentino” custa caro ao Coritiba

Ariel Nahuelpan, jogador que custou US$ 1,3 milhão aos cofres do clube, amarga má fase. Em 21 jogos, apenas quatro gols. Clube vê falta de adaptação

Em oito meses no Coritiba, Ariel marcou apenas quatro gols. Até agora cada bola na rede do argentino saiu  por US$ 325 mil | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Em oito meses no Coritiba, Ariel marcou apenas quatro gols. Até agora cada bola na rede do argentino saiu por US$ 325 mil (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)

São oito meses de adaptação ao futebol brasileiro, 21 jogos e apenas quatro gols. As estatísticas do centroavante Ariel Nahuelpan nem de longe condizem com a fama pela qual ele foi contratado. O argentino precisou de bem menos tempo para marcar sete gols no primeiro semestre do ano passado, na segunda divisão de seu país, pelo Nuevo Chicago. Chegou a ser chamado de "Keirrison da Argentina" pelos dirigentes alviverdes que o viram atuar. E até Dorival Júnior afirmou que estava de olho no atleta fazia tempo.

Talvez por isso, o Coritiba tenha feito o esforço financeiro para pagar US$ 1, 3 milhão e ficar com 80% dos direitos econômicos do jogador. Mas, agora, sem demonstrar o futebol alardeado, a única conta que sobrou para ser feita é a de que os gols de Ariel são os mais caros na história do clube. Até aqui, custaram nada menos do que US$ 325 mil cada.

"É incrível o que está ocorrendo" afirma Eduardo Dreyer, ex-jogador do Coxa dos anos 70, também argentino, que é espécie de padrinho do centroavante em Curitiba. "Mas tem de ter paciência. Tenho certeza de que vai dar certo. Agora ele está sendo muito criticado, mas vai aguentar e ainda dar muitas alegrias ao clube".

Um dos possíveis motivos para que o jogador não tenha conseguido deslanchar é o esquema de jogo utilizado no Coxa. Desde o ano passado o time tem como referência de área um atleta mais leve e habilidoso – joga mais no chão e cruza pouco. Mas, para o técnico Ivo Wortmann, o problema é ainda a diferença entre a maneira de se jogar futebol nos dois países.

"Não é fácil para quem nunca teve essa experiência. Sair da segunda divisão da Argentina para pegar um time de ponta no Brasil. Ainda com 19 para 20 anos, recém-casado... Se isso já é difícil para os mais experientes, o que dirá para ele", afirma Ivo Wortmann.

Ariel vê um problema mais simples de ser resolvido: "Não é adaptação, mas sim continuidade. Preciso de uma sequência, como todo jogador, para poder render", diz, lembrando o fim de 2008, quando atuou em quatro jogos seguidos e marcou dois gols.

A história de Ariel não é novidade no Alto da Glória. Nesta década, o Coritiba não teve muita sorte com jogadores estrangeiros. O primeiro foi o atacante Miodrag Andjelkovic, sérvio vindo do Fluminense, no começo de 2002, mas que ficou apenas três meses no clube. Na mesma época, o também sérvio Nikola, goleiro que nem chegou a atuar.

De todos, o de maior destaque e rendimento foi Aristizábal, que em 2004 marcou 12 gols – mas perdeu tantos contra o Olímpia, no Paraguai, que comprometeu a classificação do Coxa na Libertadores. Isso sem contar o xerifão uruguaio Esmerode...

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