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Skate

Ladeira abaixo, a 100 km por hora

Quem pratica esporte de risco costuma usar uma surrada frase para encorajar os iniciantes: "Do chão não passa". A expressão até pode atenuar o medo, mas pouco convence quem observa de perto uma exibição de skate downhill (ladeira em inglês).

A prática exige que o atleta mantenha o equilíbrio – de pé, em alta velocidade – sobre uma tábua e quatro rodinhas. Quanto mais rápido e tortuoso o trajeto, melhor. Uma dinâmica desportiva das mais inseguras, a ponto de ser barrada no X-Games (a Olimpíada radical).

Não há uma estatística oficial dando conta de acidentes e mortes nessa atividade esportiva. "É extremamente perigosa. Precisa ter sangue frio", adverte Guilherme "Ronco", 25 anos. Ao lado de um grupo de amigos, ele integra a principal equipe dessa modalidade no estado: a Cabeça de Vento.

Amanhã o grupo embarca para Ouro Preto, em Minas Gerais, onde irá participar de uma etapa do Campeonato Brasileiro no fim de semana. O evento conta pontos para o ranking mundial. No início do ano, eles disputaram uma etapa da Copa do Mundo, na Vista Chinesa, Rio de Janeiro.

Os skatistas locais evitam falar na possibilidade de imprevistos. Pelo contrário. Encaram as descidas – que chegam em média a 100 km/h (o recorde é 122 km/h) – como um vício saudável. "Eu tenho seis pinos no ombro esquerdo. Agora, não faz mal. Vale a pena", diz Felipe "Lat", 21, outro integrante do time paranaense.

Graças à iminência de tombos e contusões, a modalidade também ganha uma estética interessante. Todos os praticantes são obrigados a trajar um exótico vestuário de proteção: capacete, luvas, macacão de couro e tênis com solado reforçado. Um investimento entre R$ 2,5 mil e R$ 10 mil em uniforme.

O vestuário reforça a tendência do esporte ser um grande atrativo para o público. Não bastasse a prática ocorrer basicamente no meio urbano (como a Praça do Guabirotuba, a Avenida Cândido Hartmann e o Parque São Lourenço, todos em Curitiba), o estilo lembra no visual e na forma o usado pelos pilotos de motovelocidade.

"Quando estamos em ação usamos muito o corpo para respeitar o percurso. Técnica é muito importante. A aerodinâmica do corpo traz toda a impulsão. Para frear, podemos usar tanto os pés quanto as mãos. Quem comanda sabe o que usar na hora certa. Precisa muito treino e habilidade. Mas não acho algo difícil. Prova disso tem sido os resultados obtidos pelos novatos", comenta Ronco.

Em Curitiba, estima-se que pelo menos 20 pessoas já aderiram à aventura. O grupo que representa o estado na disputa conta ainda com Davi Batista, o Cristo, de 30 anos; Leandro Ling, 20; Alysson Sole, 21; e Rob Garcia, 24.

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